Levantamento realizado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, indica aumento de aproximadamente 12% no volume (peso) das importações realizadas por empresas de Bauru. O estudo reproduz o período compreendido entre janeiro e julho de 2007 e de 2008. Em valores, o crescimento no período foi de 37%, passando de US$ 38.738,671 no ano passado para US$ 53.078,852. As exportações também cresceram, mas as importações apresentaram saldo melhor em relação ao valor relativo.
Em primeiro lugar na lista dos principais produtos importados, o chumbo refinado (em sua forma bruta) foi responsável por 16,33% de tudo o que foi adquirido. De acordo o órgão, a aquisição do produto significou, no período, US$ 8.665,748 contra US$ 4.787,812 no ano passado.
Em seguida vem a base de borracha para a fabricação de gomas de mascar em chapa, cujo salto foi de US$ 6.996,817 a US$ 8.133,553. Reportagem publicada em abril pelo Jornal da Cidade mostrava que ambos lideravam a lista dos principais produtos importados, porém, em posições invertidas.
A Argentina é o país que mais lucra com o cenário, responsável por 16,64% das vendas para o Brasil, seguida dos Estados Unidos (13,49%), China (11,55%), Alemanha (9,16%) e África do Sul (8,55%).
Segundo o empresário José Luiz Miranda Simonelli, titular do Departamento de Ação Regional (Depar) em Bauru, órgão ligado à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o aumento das importações de produtos de valor agregado significa que a cidade não está comprando matéria-prima, que agregaria valor em Bauru.
Segundo Simonelli, o movimento natural em relação ao preço das commodities favoreceu a importação do chumbo - as negociações na Bolsa de Londres definem o valor do produto. “O preço caiu e ficou atrativo para comprar”.
Diante deste cenário, o empresário sinaliza com o aumento das importações, caso o preço das matérias-primas continuem estáveis. “Agora existe uma tendência de manter o ritmo de importações de produtos acabados, pois a economia está aquecida. Mas também estamos deixando de vender fora, atendendo somente o mercado interno. O dólar barato propicia a importação de commodities”.
Preço internacional
A demanda por chumbo importado tem uma razão. O diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru, Domingos Malandrino, afirma que o preço interno do produto inviabiliza o investimento.
Segundo ele, no entanto, as perspectivas diante deste cenário não são animadoras. “O mercado interno está consumindo mais e não conseguimos competitividade, pois o dólar está baixo e a carga tributária é alta”.
As exportações de janeiro a julho tiveram aumento, em peso líquido, de 5% (82.901.352 contra 79.756.451 no ano passado). Em relação a valores, a alta foi de 25% (de US$ 95.284,313 para US$ 118.990,889). “Os dois lados cresceram. O grande problema é que o crescimento de um é menor que o outro, e pode virar déficit. É como dois carros. Um está a 150km/h, outro a 180km/h e o primeiro saiu antes. Uma hora, o outro irá alcançá-lo”, diz Simonelli.
Os principais produtos exportados são barras de ferro/aço, acumuladores elétricos de chumbo para arranque de motor pistão e carnes desossadas de bovinos. Os destinos são Bolívia, responsável por 35,53% do mercado com o Brasil, África do Sul (8,55%), Paraguai (6,36%), Arábia Saudita (5,94%) e Argentina, com 5,36%.