09 de julho de 2026
Nacional

Menor cidade do País, Borá possui 834 habitantes

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - As ruas que contornam a praça da paróquia Santo Antônio já não são mais tranqüilas como de costume, dizem os moradores. Um reflexo da cidade que cresce, apesar de ser o município com a menor população do Brasil. Borá, a 481 quilômetros a oeste de São Paulo, possui 834 habitantes, segundo a nova estimativa do IBGE.

Apesar de pequena, proporcionalmente, Borá deu um grande salto. Em 2000, eram 795 habitantes. De lá para a estimativa do ano passado, só “ganhou” nove moradores. Já de 2007 para este ano, foram 30 pessoas a mais.

Moradores atribuem à reativação de uma usina de cana, há quatro anos, uma das razões para o município já não ser assim tão tranqüilo.

“Vemos mais pessoas e carros nas ruas, carros de fora da cidade. Muita gente mudou para cá por causa da usina, até vindos do Nordeste. Não se acha mais casa para alugar”, conta a professora da única escola estadual da cidade, Valdirene Marconato, 37 anos.

Safra

Em época de safra, entre maio e novembro, a usina Iberia chega a ser maior que a própria cidade, com 2 mil funcionários, inclusive bóias-frias. E a influência deve ser ainda maior: com terreno cedido pela empresa, a prefeitura e o Estado estão construindo aproximadamente cem casas populares, em esquema de mutirão.

O terminal rodoviário, que a cidade ganhou em março, deve ajudar a receber os novos moradores. Ao lado de seu único posto de saúde, o município também ganhará um minipronto-socorro.

Apesar das mudanças, Borá continua marcada pela tranqüilidade. O último homicídio foi registrado em 2002.

Boletins de ocorrência, aliás, são poucos: foram 21 desde o início do ano - o mesmo registrado em uma manhã em uma delegacia de São Paulo.

Pequenos latifundiários

O comércio é, no mínimo, modesto, contam os moradores: resume-se a uma padaria, um açougue, uma farmácia, um posto de combustível e dois bares. “Até tentaram abrir loja de roupas, mas não deu certo”, diz Valdemar Bregolato, 74 anos.

Filho de José Bregolato, um dos pioneiros, ele teme que o sossego se vá com o progresso. “Pode ficar mais perigosa, ter mais roubos. Em Paraguaçu (Paulista, cidade vizinha), ninguém pode deixar nada no varal. Aqui, é tranqüilo. Ainda.”

A pequena população torna a cidade terra de pequenos “latifundiários“. Se a área de Borá, de 119 quilômetros quadrados, fosse dividida por seus habitantes, cada pessoa teria o equivalente a 17 campos de futebol como o Maracanã (de 8.250 metros quadrados). Para comparar, na Capital paulista, onde vivem 10,9 milhões, seria 0,01% de Maracanã por paulistano.

Nem sempre foi assim. Quando jovem, Bregolato conta que a cidade era mais populosa. As famílias, entretanto, venderam suas fazendas, atingidas pelas geadas de café, e migraram para Paraná e São Paulo. Pelo IBGE, chegou a ter 1.270 pessoas nos anos 1970.

Hoje, Borá carrega uma contradição: tem mais eleitores que população. São 924 aptos a votar, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).