11 de julho de 2026
Política

Testemunhas de Jeová, descrentes de mudanças, anulam seus votos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 1 min

Oficialmente, as Testemunhas de Jeová mantêm posição de neutralidade diante das eleições. Eles procuram não se envolver em política. Na prática, isso significa uma enxurrada de votos em branco e nulos. Somente em Bauru são quase 3 mil votos desperdiçados. Esse é o número aproximado de testemunhas existentes na cidade.

De acordo com o ancião Leandro Pascoal, 29 anos, a doutrina de neutralidade seguida por eles é baseada nos ensinamentos de Jesus. Ele lembra que Cristo recusou-se a intervir em assuntos políticos em diversas ocasiões. Uma delas foi quando Satanás ofereceu todos os reinos da Terra em troca de Sua fidelidade. Jesus rejeitou a oferta. Depois, Ele teria se recusado a discutir sobre o pagamento de impostos (“dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”). Em outra passagem, Jesus retirou-se quando um movimento popular quis torná-lo rei.

Leandro cita ainda um trecho da Bíblia que justificaria o posicionamento das testemunhas. O texto diz: “Eu sei, ó Senhor, que não é do homem o seu caminho; nem é do homem que caminha o dirigir os seus passos (Jeremias 10:23)”.

Por esses e outros motivos, as Testemunhas de Jeová fazem uma campanha permanente de conscientização para que seus seguidores mantenham-se longe das eleições e da vida política. Leandro diz que a igreja não prega o voto branco ou nulo, mas essa tem sido a opção da maioria.

“Nossa fé se baseia no princípio de que os problemas que enfrentamos só Deus pode resolver. Nós cremos que o homem não é capaz dessas mudanças”, argumenta. Conseqüentemente, a igreja não permite que candidatos ocupem o templo para propaganda política.