09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Um pai, um guia para a vida!


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Ele me deu uma surra, é bem verdade, só porque eu não queria ir à pré-escola, no Eliazar Braga. Foi a única. De resto, me deu chocolate - até demais -, livros - na primeira viagem ao Rio, aos 10 anos, comprei mais de 20 títulos na sede da Ediouro -, frutas descascadas - que tanto irritavam minha irmã - e música, muita música.

O primeiro LP de samba-enredo, em 1988, gerou uma paixão incontida e cada vez mais sólida. Mas antes dele houve o disco da Turma do Balão Mágico, em que a Simony cantava “Ursinho Pimpão”, o do RPM, com “Olhar 43”, quase ao mesmo tempo de “Nós Vamos Invadir a Sua Praia” e “O Passo do Lui”, e muitos do Milton Nascimento.

Em janeiro, a caminho do mar de Caraguatatuba, o fundo musical incluía “Férias”, com Moacyr Franco, “Passo do Elefantinho” e “Goiabada Cascão”. Tudo no Motorádio da Brasília, que transportava também minha prancha de isopor, o carrinho com apetrechos para construir castelos de areia e, claro, meu primeiro tambor, garantia de barulho infernal para a família toda. À tarde ele financiava meu fliperama e à noite me levava para comer pudim na Docimar.

Em 1983 me levou ao Morumbi pela primeira vez. O jogo era bem ruinzinho - São Paulo x Taquaritinga -, mas no ano seguinte fomos ver o Peixe estrear no Brasileiro contra o Fluminense. Depois, em 1987, fomos ver a fabulosa seleção de masters na Vila Belmiro.

Durante vários anos ele me levou mensalmente a Jaú para visitar o ortodontista. Depois da consulta eu ganhava pastéis à vontade. Em 1992 me levou às estradas de terra para me ensinar a guiar. Em 1986, quase o matei de susto ao me acidentar em plena festa. Ele abandonou tudo para me levar à Santa Casa. Dezoito anos mais tarde, quase o matei de susto de novo, ao sofrer um acidente de carro. Mas ele está aí, firme e forte, completando 70 anos de vida e fazendo história! Parabéns, pai!

Fábio Grellet Pereira