10 de julho de 2026
Bairros

Moradores reclamam por mais atenção

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 4 min

Quem constrói uma residência em bairros que se desenvolveram às margens de rodovias ou que compram imóveis nesses locais, sabe desde o início que no mínimo terá que conviver com muito barulho, perigo e quase nenhum benefício.

A exemplo dos moradores do Residencial Lago Sul, que enviaram ao JC um documento de protesto sobre as péssimas condições da rodovia João Batista Cabral Rennó (SP-225), conhecida como Bauru-Ipaussu, os moradores dos bairros margeados pela outra rodovia administrada pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER), a Bauru-Iacanga, chamada Cezário José de Castilho, SP-321, também reclamam dos perigos.

Paulo Henrique Rodrigues, que reside há três anos na rua Luiz Pereira da Silva, na Vila São Paulo, diz que quando se mudou para o bairro sabia da fama do local, mas que conheceu a realidade mesmo apenas ao viver lá. “Se você ficar sentado aqui na porta de casa por uma ou duas horas, vai ter a oportunidade de assistir aos deslizes e abusos dos motoristas que não respeitam ninguém, nem mesmo a própria vida”, diz.

Mesmo sem ser um especialista no trânsito, o morador atribui à imprudência uma das principais causas de acidentes. “Já vi muita gente morrer aqui na porta de casa ou ficar gravemente ferido, implorar por socorro”, narra.

Rodrigues avalia que tudo o que foi feito até agora por quem administra o local (DER) foi para resolver ou pelo menos tentar solucionar problemas localizados. Ele acredita que a fiscalização eletrônica, pelo menos no trecho urbano que totaliza três quilômetros, seria eficaz. Outro medida, na visão do morador, seria a construção de passarelas. O equipamento, avalia, ofereceria segurança aos pedestres, assim como os guard-rails, que deixariam livre apenas o acesso pelos trevos oficiais.

Moradores que vivem em bairros próximos à rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), a Bauru-Marília, sabem muito bem o que viver ás margens de uma estrada sem segurança. Duplicada recentemente, a via também já foi placo, no passado, de acidentes que vitimaram moradores de bairros como Fortunato Rocha Lima, Bela Vista, Nova Esperança e Santa Luzia.

Atualmente os trechos que margeiam esses bairros ou possuem um barranco ao lado que impede atravessar a pista ou foram instalados guard-rails que dificultam, mas não impedem, quem deseja encurtar o caminho atravessando a pista de rolamento.

Eunice Mathias Alves Conceição, moradora do Núcleo Habitacional Fortunato Rocha Lima, conta que quando tinha os filhos pequenos ficava sempre com o coração nas mãos quando acontecia uma acidente na rodovia próxima ao bairro. “A gente sempre ficava com medo, afinal de contas, criança não tem juízo, não sabe distinguir o perigo da aventura”, lembra.

Ao longo do trecho urbano da mesma Comandante João Ribeiro de Barros, mas agora a SP-225, que liga Bauru-Jaú, existe uma agravante ainda maior: além dos bairros populosos formados às margens da rodovia, o local conta também com o Distrito Industrial 2, para onde centenas de trabalhadores se dirigem todos os dias.

Ali estão localizados bairros como o Jardim Santa Terezinha, Manchester, Bauru 25, José Regino e Tangarás. Denise Rocha mora no Bauru 25 e diz que se acostumou com essa proximidade com a rodovia. “Não acontecem tantos acidentes por aqui, porque do outro lado da rodovia não tem outro bairro, então as pessoas não vão para lá”, justifica. Mas ela acredita que, em breve, quando a cidade se desenvolver além da rodovia, medidas de segurança terão de ser tomadas.

No Santa Terezinha, onde dezenas de famílias vivem no local, moradores se utilizam da passarela instalada pela empresa que administra a rodovia. Do outro lado está o Distrito Industrial 2, onde muitos têm seus empregos.

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Protestos

Não é por falta de reclamação. Os moradores dos bairros às margens da rodovia Cezário José Castilho (SP-321), a Bauru-Iacanga, estão cansados de reclamar e protestar. A cada novo acidente, a cada morador da região que é vítima da precariedade da rodovia, os moradores reivindicam melhorias.

No final de 2007, depois de mais um acidente com morte, moradores dos bairros e familiares de uma vítima de 19 anos protestaram, queimando pneus para chamar a atenção do Departamento de Estradas e Rodagens (DER), responsável pela rodovia.

O órgão instalou tachões no trecho urbano da rodovia para coibir as ultrapassagens. Para fazer com quem os motoristas respeitassem a velocidade máxima da rodovia, o órgão também se comprometeu a instalar radares no trecho. A Polícia Rodoviária tem realizado no local constantes bloqueios para evitar abusos.

Os moradores atribuem o grande fluxo de veículos na rodovia a uma maneira encontrada pelos motoristas de fugir do pedágio instalado na Bauru-Jaú. “Pode reparar nas placas dos veículos que passam aqui, Botucatu, Brotas, Mineiros e Jaú”, conta o morador César Gonçalves de Freitas, que acredita que os índices de acidentes só irão diminuir depois da duplicação.