09 de julho de 2026
Internacional

Aproximação com a China leva oposicionistas às ruas em Taiwan

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Taipé - Dezenas de milhares de oponentes do presidente taiwanês, Ma Ying-jeou, marcaram seu 100.º dia no poder em Taiwan ontem com uma marcha de protesto na capital Taipé. Eles pedem por mais estímulos econômicos e políticas mais cautelosas na aproximação com a China - que não reconhece a independência da ilha. As ruas ao redor do centro de Taipé lotaram ontem, com pelo menos 40 mil pessoas que tocavam tambores, levavam placas com os dizeres “China Não” e gritavam para que Ma saia do governo.

“A relação incondicional de Ma com o mercado chinês não é bom para o povo taiwanês”, disse manifestante Kuo Wen-hung, 38 anos. “Se dependermos economicamente da China, eventualmente eles nos forçarão a união política”, completou.

Em meio a multidão estavam legisladores e autoridades locais do sudeste do país. Os organizadores estipulam que ao menos 100 mil pessoas tenham participado dos protestos. Liderados por grupos de advocacia e pelo maior partido de oposição de Taiwan, os manifestantes disseram querer que o presidente confie menos na China para alavancar a economia do país.

“Uma política de portas abertas não deveria vir ao custo da segurança de Taiwan”, disse o organizador Lo Chih-Cheng, secretário-geral do grupo Sociedade Taiwan. “É horrível que o futuro de Taiwan seja entregue à decisão da China”, completou.

O governo chinês já ameaçou usar a força para recuperar o controle sobre a ilha que se proclamou soberana em 1949, quando os comunistas de Mao Tsé-tung ganharam a guerra civil chinesa e os nacionalistas de Chiang Kai-shek fugiram para a ilha.

O governo de Ma assinou um acordo territorial com a China, permitindo vôos diretos entre os dois países durante o fim de semana. O acordo permite também a visita de 3 mil chineses por dia, para incrementar a renda com o turismo.

Seu gabinete também ampliou limites de quanto as companhias com base em Taiwan podem investir na China. Segundo os manifestantes, as ondas de crescimento prometidas por Ma não aconteceram Eles querem um crescimento econômico de 6% e a queda da taxa de desemprego em 3%.

“Eu espero que Ma possa fazer algo para as pessoas”, disse Chou Kuo-shun, 60 anos, designer que participou dos protestos. “Taiwan era muito ativa, mas agora, graças a economia de Ma ninguém quer sair e fazer negócios”, disse, sobre sua cidade natal.