Com recursos da Lei de Incentivo à Cultura, o Cineclube Aldire Pereira Guedes lançou o projeto Vídeo Cidadão, uma iniciativa que oferece cursos gratuitos de produção de vídeos digitais. Após aulas teóricas, os participantes do projeto saíram a campo anteontem para fazer a primeira filmagem. Na primeira etapa, com duração de oito semanas, as aulas são ministradas na biblioteca ramal Antonio Silveira, do Núcleo Mary Dota.
Na manhã do último sábado, os alunos se dirigiram a uma sorveteria do bairro, onde foi filmada a primeira parte do roteiro, que conta a história de uma menina viciada em drogas. O vídeo será um dos exibidos na “Mostra Vídeo Cidadão”, com data prevista para 1 de agosto de 2009. Além de disseminar os conhecimentos específicos da área, do roteiro à edição, as oficinas “Introdução à Realização Audiovisual” pretendem ser uma oportunidade de inclusão digital para as comunidades.
Além disso, as oficinas servem como extensão universitária, já que há o envolvimento de alunos do curso de Rádio e TV da Universidade Estadual Paulista (Unesp). São os universitários que ministram as aulas, sob a supervisão da professora Letícia Affini.
De acordo com Paulo Henrique PH, do Cineclube, além do Mary Dota, a oficina vai acontecer em outros três pontos da cidade. PH destaca que depois de transcorridas as oito semanas no Mary Dota, o projeto deve ser implantado na Vila Falcão, Núcleo Presidente Geisel e Jardim Prudência. “Quatro bibliotecas ramais vão receber a oficina, pegando pontos diferentes da cidade. Quer dizer, as pessoas que moram em bairros perto dessas bibliotecas ramais, poderão ter acesso a esse tipo de atividade”, disse.
PH explicou que, nas aulas teóricas, os alunos aprenderam o que é a tomada, como se faz um roteiro, entre outras informações importantes antes de se produzir um vídeo. “Tanto que foram os alunos que propuseram o roteiro dessa filmagem. Eles também serão os atores e as locações a gente consegue com o pessoal do bairro, com a ajuda dos comerciantes do bairro. A parte final é a edição, onde eles vão poder se ver na tela enquanto editam o filme”, frisou.
Para os alunos da Unesp que ministram as aulas é uma oportunidade de aprender algo a mais, além do curso de Rádio e TV, e transmitir os conhecimentos adquiridos na faculdade para os cidadãos. Patrícia Andrade Peniche de Mello aprovou a iniciativa. “A professora já tinha comentado com a gente e a gente se interessou. É muito legal passar as informações que nós tivemos até agora”, disse.
Outro ponto atrativo para a estudante é o fato de fugir um pouco do currículo do curso, com a oportunidade de ter contato com um equipamento diferente do que é utilizado na faculdade. “Eles têm contato com um mundo diferente e a gente pode passar muito do que aprendeu na teoria”, salientou.
Já a doméstica Célia Pereira Mendes resolveu participar da oficina porque gosta muito desse tipo de trabalho, mas nunca teve a oportunidade de conhecer de perto. “É uma experiência nova para mim. E eu gosto muito, porque a gente aprende e imagina as histórias. Essa que estamos filmando tem minha participação. É muito gostoso”, ressaltou, afirmando que além dela, o filho e a sobrinha também participam da oficina.