Ser adolescente custa caro. Que o digam os pais, sempre aflitos com os gastos dos filhos que estão nesta fase da vida. Afinal, a mesada parece não render mais o quanto rendia quando eles eram menores. Atualmente, além dos atrativos produtos eletrônicos, dos tênis de marca e das roupas da moda, os pais têm que conviver com um novo item de consumo: a balada.
E quando se fala em balada, está implícito o transporte, a alimentação, a roupa, a maquiagem, o ingresso. Em resumo, uma boa balada no fim de semana sai caro. Dependendo do que for escolhido os custos podem ser bem altos. A questão é: dá para se divertir sem gastar muito?
Para a economista Márcia Elaine da Silva Almeida, as famílias devem incluir os jovens no orçamento e planejamento familiar. No entanto, o primeiro passo é passar para o adolescente qual é a situação real da família, apontando até que limite ele pode ir. “Esse planejamento familiar deve ser feito de acordo com a família toda, para o jovem ter a noção real da situação financeira da família”, disse.
A economista alerta, entretanto, que é preciso incutir nos jovens a consciência de que eles têm limites. Segundo ela, na maioria dos casos eles ganham mesadas dos avós e os pais dão dinheiro em razão do aniversário. “O ideal é que ele poupe um pouco do que ganha para os eventuais gastos maiores. Então, se ganha R$ 50,00 de mesada, economiza R$ 10,00, ganha mais R$ 20,00 do avô, economiza R$ 5,00, e assim por diante”, frisou.
Márcia destacou ainda que o ideal é educar financeiramente desde cedo, quando ainda é criança, para que, quando se tornar adolescente, já esteja disciplinado. “Porque hoje eles começam a ganhar (dinheiro) muito tarde. Os jovens começam a trabalhar mais tarde, então eles são uma despesa até que entrem na fase produtiva. Mas essa despesa deve ser uma troca, com os pais orientando os filhos a guardarem para uma eventual necessidade”, explicou.
A economista salientou ainda que o próprio jovem pode otimizar seus gastos durante as baladas. Dependendo do local escolhido, é importante comprar o ingresso antecipado, que é mais barato. Ela orienta para reunir o grupo de amigos e resolver para onde vão, comprando as entradas antes. Outra dica é com relação ao transporte. Segundo Márcia, o ideal é irem todos no carro de um só, rachando o combustível para minimizar o consumo.
A alimentação é um dos itens que custam mais caro na balada, por isso, é importante fazer as refeições antes de sair de casa. “Alguns saem de casa sem comer, falando que comem depois, tendo um gasto adicional que era desnecessário”, frisou, explicando ainda que sair de um lugar e ir para outro também causa um gasto extra. “Na verdade, se eles se planejarem, tudo vai bem”, ressaltou.
Exemplo
Para o professor Marcos Crivelaro, especialista em matemática financeira, consultor em finanças e autor do livro “Saindo do vermelho e tornando-se um investidor de sucesso” (Editora Porto de Idéias), os pais podem evitar “entrar no vermelho” com os excessos dos filhos através de uma conversa séria e correta sobre esses tipos de gastos.
Segundo ele, na maioria das vezes os filhos gastam da mesma maneira que os pais. Muitos jovens utilizam essas festas para se destacarem perante o grupo ou conseguirem conquistar namorado (a). “É fundamental estabelecer uma verba semanal-mensal e ajudar os filhos a escolher qual festa vale a pena. Não é um papo careta porque principalmente nas idades até 16 anos, mesmo em classes sociais mais pobres, os pais participam da logística de levar, buscar e “bancar” esses passeios. Portanto existe a necessidade de diálogo, orientação e negociação. Apenas os pais falarem não, também não adianta”, disse.
Crivelaro ressaltou também que os pais devem orientar os filhos para buscarem alternativas que os permitam economizar mais na hora da balada. De acordo com o professor, a análise deve ser dividida em três partes: custo da entrada, transporte e consumo. Na primeira parte, o ideal é tentar obter descontos via Internet ou participando de promoções.
Na segunda parte, dividir as despesas de táxi entre os adolescentes ou criar um rodízio entre os pais. Por fim, na terceira parte, alimentar-se em casa e na hora de consumir bebidas, comprar embalagens de 1 litro ou garrafas para serem compartilhadas entre o grupo.
O professor alerta que, antes da balada, o maior gasto dos adolescentes é com roupas de grife. “Para minimizar procure as lojas de fábrica e saldões. Varie o guarda-roupa mesclando roupas ‘transadas’ mas não tão caras. É possível gastar pouco na balada quando o jovem tem essa consciência. Sem a colaboração deles, somente entregando uma pequena quantia de dinheiro em papel moeda. Quando acabar, acabou!”, concluiu.
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Dicas
Transporte - Reúna quatro ou cinco amigos em um mesmo carro para dividir o custo do combustível e do estacionamento. Se o estacionamento custa, em média, de R$ 5,00 a R$ 20,00 e o combustível (se todos morarem perto) de R$ 10,00 a R$ 30,00, é possível dividir e ficar bem barato. Importante é decidir quem vai fazer a vez de motorista da noite, já que a lei é seca.
Aquecimento - A estratégia consiste em comprar bebidas e salgadinhos ao longo do caminho (em supermercados, por exemplo) para pagar um preço que chega a ser metade do que será cobrado no local. Gasto estimado por pessoa: de R$ 5,00 a R$ 20,00.
Consumação mínima e entrada - Para economizar, o ideal é encontrar lugares que cobram apenas o que os clientes consomem. Se o lugar tiver alguma apresentação musical, geralmente é cobrado um couvert artístico. Na Internet dá para comprar antecipado, com descontos que podem chegar a 80% do valor. Outra dica é colocar o nome em listas para entrada livre. Gasto estimado: de R$ 15,00 a R$ 150,00.
Jantares caseiros - Reunir a galera em casa pode ser uma boa. O importante é a descontração do grupo e a disposição de cada um em colaborar trazendo algo para comer e beber. De acordo com a pesquisa, o churrasco é o campeão, seguido pela macarronada ou pizza da madrugada. Música? Quem sabe alguém da galera não leva o violão? Gasto estimado: de R$ 15,00 a R$ 35,00.
Passeios culturais - Nem só de comida e bebida é feita uma “balada”. Semanalmente, a mídia anuncia uma programação gratuita que ocorre na cidade ou na região durante o dia ou à noite. O foco dessa programação geralmente é cultural: palestras, exposições, concertos ao ar livre, caminhadas, corridas. Gasto estimado: desde entrada gratuita a R$ 10,00.
Fonte: Marcos Crivelaro, especialista em matemática financeira