09 de julho de 2026
Esportes

Basquete: Exames afastam Allison do GRSA

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Um laudo da Escola Paulista de Medicina vai atestar se o pivô Allisson, de 24 anos, recém-contratado pelo GRSA/Bauru Basketball Team, poderá ou não reforçar a equipe durante o Campeonato Paulista de basquete masculino. O atleta, impedido provisoriamente de atuar devido às suspeitas de problema cardíaco, será submetido a exames detalhados na sede da instituição, ligada à Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp), marcados para terça-feira de manhã.

A hipótese foi levantada nesta semana após os resultados dos exames médicos de praxe exigidos no ato da contratação do pivô, que assinou compromisso com o GRSA no mês passado. “O exame de rotina apontou essa disfunção (miocardia dilatada), da qual ficamos sabendo no treino de ontem (quinta-feira)”, comenta o técnico Jorge Guerra, o “Guerrinha”.

Foi o próprio treinador que viabilizou a realização de exames mais detalhados sobre o jogador do GRSA, em unidade de referência no diagnóstico de doenças cardíacas em atletas, após contatar a Confederação Brasileira de Basquetebol (CBB). “Por meio do contato com o doutor Andreoli (Carlos, chefe do departamento médico da seleção brasileira) marcamos o exame do Allisson para a terça-feira, de manhã”, acrescenta o técnico.

A suspeita, detalha Júlio Horta, médico do time, foi detectada durante um ecocardiograma a que o atleta foi submetido. “Foi constatada uma alteração no ritmo cardíaco durante um exame denominado eco de estresse, feito na esteira”, explica o médico, salientando que uma pequena arritmia foi detectada no momento em que foi exigido maior grau de esforço do pivô.

Entretanto, ressalva o médico, disfunções do gênero, em alguns casos, principalmente em atletas de grande porte físico, podem ser normais. “O chamado ‘coração de atleta’ é comum em alguns casos. O Allisson é grande, e isso as vezes pode acontecer. Mas somente um laudo mais detalhado vai apontar se ele pode ou não jogar”, acentua Horta, que, por não ser cardiologista - suas especialidades são geriatria e reumatologia -, optou por aguardar o laudo do centro de medicina esportiva na capital do Estado.

Reincidência

Uma possível liberação do jogador para atuar no Paulista não é descartada, tanto por dirigentes, comissão técnica e pelo próprio médico do time, já que não é a primeira vez que o pivô, de 2,12m de altura, apresenta suspeita semelhante. “Não é a primeira vez que isso ocorre. Em seu antigo time (jogou pelo Grêmio Mauá), ele apresentou a mesma suspeita e pôde atuar”, comenta o médico. “Mas preferimos, antes de tudo, a realização dos exames detalhados. Não se trata apenas da carreira do jogador, mas de sua saúde, de sua vida”, acentua Horta. “Ainda é cedo para um prognóstico”, considera.

Sem substituto

Caso o jogador não seja liberado, o GRSA, a princípio, não vai contratar um substituto, informa o técnico Guerrinha. Segundo o treinador, a única abertura de mercado, no momento, é voltada ao exterior, o que demandaria mais recursos em caixa, indisponíveis no momento. “O único mercado que teríamos seria o estrangeiro, mas no momento não podemos assumir nenhum compromisso”, antecipa. “Pode ser que o laudo (sobre as reais condições de Allisson) recomende tratamento. Vamos aguardar”, sintetiza Guerrinha.

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Jogador poderá ser mantido

Apesar do exame médico ter apontado suspeita de problema cardíaco, Allisson, oficialmente, é jogador do GRSA/Bauru Basketball Team. Rodrigo Coube, presidente da equipe, assegura essa condição e antecipa que uma possível rescisão do compromisso somente aconteceria caso seja confirmada doença sem possibilidade de tratamento em curto prazo.

“O jogador é contratado e, no momento, está impossibilitado de jogar”, afirma. “Ele somente será desligado caso não seja possível tratar em curto espaço de tempo. Caso ele seja aprovado para estar em quadra, ou haja recomendação para tratamento que não demore, ficaremos com o atleta”, garante o dirigente, salientando a preocupação primordial com a vida do atleta, que acompanha os treinamentos, fora da quadra. “Hoje no esporte em geral há uma grande preocupação com doenças cardíacas, principalmente após a morte em campo do Serginho, do São Caetano”, ilustra. “Antes de tudo, é uma questão de saúde”, prioriza.