10 de julho de 2026
Esportes

Casa vazia: os bauruenses amam mesmo o Noroeste?

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Domingo, 31 de agosto de 2008. Estádio Alfredo de Castilho. O Noroeste jogou contra o Ituiutaba tentando avançar à terceira fase do Campeonato Brasileiro da Série C para continuar na busca do acesso à Série B. Mas aquela tarde ficou marcada pelo fracasso noroestino. Empate de 0 a 0, com direito a pênalti perdido, e fim de mais um sonho alvirrubro. No entanto, além da dramática desclassificação, um detalhe chamou a atenção. Apesar da partida ter se notabilizado, sem exagero, como uma das mais importantes da história do clube, apenas 1.125 pessoas foram ao campo para apoiar o Norusca. Cena que se repetiu não nó nesta competição, mas se tornou cada vez mais freqüente em outras. E já faz tempo.

Em rodinhas de bate papo sobre futebol, é muito comum ouvirmos pessoas exaltando as glórias, conquistas e resultados expressivos do Noroeste. Também é igualmente freqüente, nas mesmas rodas de conversa, notar alguém sempre bradar, espalhando aos quatro cantos, que o clube é um dos mais tradicionais e respeitados do interior paulista. Pena que esse orgulho todo demonstrado por centenas ou milhares de bauruenses fique só em meras palavras - que estão mais para “conversa de botequim” do que qualquer outra coisa - e não se transforme em apoio efetivo à “Maquininha Vermelha” durante seus jogos no Alfredo de Castilho, o popular “Alfredão”, cada vez mais vazio nas partidas do Noroeste. A verdade é uma só: a cidade não “abraça” o time.

Já não é de hoje que o Noroeste só sobrevive - e ainda existe - graças ao trabalho de abnegados, como a família Garcia, que há vários anos já “carrega o clube nas costas”, seja financeiramente ou estruturalmente, com o auxílio de poucos apoiadores e patrocinadores. No entanto, se a falta de apoio por parte de quem poderia ajudar com recursos é uma obviedade e já caiu no senso comum, os bauruenses também estão longe de cumprirem seu papel de ajudar a equipe em campo, seja incentivando contra os adversários ou mesmo comparecendo ao Alfredo de Castilho para aumentar a renda e, conseqüentemente, a arrecadação do Norusca.

Com exceções, como a fiel torcida organizada Sangue Rubro e aqueles realmente apaixonados, que faça chuva ou sol estão sempre presentes às partidas, o bauruense só costuma prestigiar para valer o Noroeste em situações especiais: jogos contra os “grandes” - Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos - ou quando a equipe consegue classificar-se às fases finais de competições. Fora isso, é um comparecimento pífio, que não combina com o discurso “orgulhoso e recheado de amores” daqueles que se dizem torcedores.

Entretanto, é necessário ressaltar que, em algumas ocasiões, os jogos do Norusca sofrem a “concorrência” das partidas dos “grandes” em campeonatos de maior expressão disputadas nos mesmos dias e horários. Também é válido mencionar aquelas jogadas em horários, como os vespertinos da Copa Paulista em pleno meio de semana, que tornam praticamente impossíveis a ida de pessoas ao campo. Mas, apesar desses atenuantes, como explicar que times que enfrentam os mesmos problemas, como o rival Marília, tenham médias de público superiores ao Noroeste?

Números não faltam para comprovar todo esse raciocínio.