08 de julho de 2026
Geral

Bauru apóia a Parada da Diversidade

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 4 min

Ao som dos quatro trios elétricos que percorreram a avenida Nações Unidas, na tarde de ontem, pessoas de todas as tribos e de todas as idades festejaram junto aos gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros (GLBT) em defesa à diversidade. Além das bandeiras, balões, perucas e tantos apetrechos coloridos que pintaram as ruas, o que se viu foi uma grande festa da cidadania.

Três dias depois de Bauru ter se debatido em torno do respeito ao patrimônio público - por conta do furto do Bauruzinho -, a cidade deu, ontem, um exemplo de tolerância e respeito às diferenças, reunindo mais de 15 mil pessoas, de acordo com estimativas da Polícia Militar, em sua 1.ª Parada pala Diversidade.

Cheia de animação e apetrechos, Magali de Carvalho, 40 anos, levou toda a família para curtir a tarde de domingo na parada. “Nenhum dos meus familiares é homossexual, mas tenho muitos amigos. Essa festa linda é uma maneira de fazer com que as pessoas os encarem com normalidade”, defende a bauruense que, além dos filhos e uma vizinha, trouxe ainda o neto Nicolas, 3 anos, para participar da festa. “É uma maneira dele, desde pequeno, aprender a lidar com as diferenças”, explica.

Magali não foi um exemplo isolado. Além daqueles atraídos apenas pela curiosidade, que pararam para ver a alegria e irreverência do segmento GLBT, muitas outras famílias entraram no clima, vestindo plumas, pulseiras e gravatas coloridas, e marcaram presença na luta contra o preconceito. “Era o que Bauru estava precisando. Nem no Carnaval se viu uma festa assim! Nós todos temos mais é que nos divertir juntos e respeitar as diferenças”, frisa a garçonete Sandra da Silva Amaral, 43 anos.

Fabiana Evangelista e o marido, de Itaí (SP), aproveitaram a visita a familiares na cidade e também participaram da parada. “Fiquei sabendo do evento ao chegar em Bauru e fiz questão de vir prestigiar”, conta a comerciante. Além dela e o marido, seus irmãos, cunhadas, a sobrinha e a mãe curtiram o domingo ao som dos DJs. “O evento é uma grande conquista. Todos precisam ter o seu espaço e nós precisamos respeitar. Aliás, sou apenas contra quem critica”, acrescenta Dalva Evangelista, mãe de Fabiana.

Da mesma opinião partilha Gabriella Manaia. “Essa é uma importante conquista, sim, porque Bauru já foi uma cidade bastante preconceituosa”, diz a professora, enquanto acompanhava o desfile, que começou às 17h com o Hino Nacional, na Praça da Paz.

A parada seguiu até o Parque Vitória Régia, onde a festa continuou no anfiteatro, com apresentação de performances. Durante todo o evento, foi realizada uma edição especial da Feira Ubá, que ficou montada para receber os visitantes até por volta de 19h. Depois do Vitória Régia, a festa continuaria na boate Labirinthus Louge Mix, apoiadora do evento.

Conquista

Presenciar a adesão dos bauruenses e reunir tantas pessoas em defesa dos direitos iguais aos diferentes e contra qualquer tipo de preconceito, foi considerada a grande conquista da Associação Bauru pela Diversidade, promotora do evento.

Surpreso com o tamanho do público, Marcos Souza, o Markinhos, um dos organizadores e sócio da Labirinthus Lounge Mix, casa noturna que apóia o desfile, acredita que a Parada de Bauru mostrou algo importante também para o público GLBT. “Bauru se mostrou muito receptiva e isso mostra aos homossexuais que, muitas vezes, o preconceito pode estar também dentro deles”, avalia.

“Esse Sete de Setembro ficará na história de Bauru. Depois de hoje (ontem), com certeza, a cidade vai começar a interpretar de outra forma o público homossexual. E se a primeira foi assim, essa megafesta, imaginem as próximas”, comemora Rick Ferreira, também organizador, já anunciando que a Parada da Diversidade de Bauru pretende tornar-se evento fixo no calendário da cidade.

Markinhos aproveita para lembrar ainda que a principal luta da Associação será pela criação da Secretaria da Cidadania e Direitos Humanos. “Vamos trabalhar, políticos, porque nós vamos cobrar isso”, avisa.

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Drags e transformistas fazem sucesso

Com suas superproduções, as drag queens e transformistas foram figuras que fizeram sucesso na Parada da Diversidade. Uma das mais assediadas pelas pessoas que disputavam uma foto ao lado dos “mulherões”, Lorien Perez afirma que, assim como Bauru, todas as cidade deveriam aderir à manifestação contra o preconceito.

“Bauru se mostrou muito tolerante às diferenças. É muito chato quando você ‘se monta’ toda e as pessoas te julgam com preconceito”, conta Lorien, que leva, em média, duas horas para se arrumar.

Já Mahara Tailor, que há quatro anos faz performance, veio de Curitiba (PR) prestigiar a festa. “Essa é uma conquista para nós. A população tem que se acostumar, porque nós vamos sempre lutar pelos nossos direitos”, avalia.