O atraente visual retrô-romântico e a curiosa premissa - um vendedor de tortas ressuscita mortos e usa seu poder para investigar assassinatos - fizeram de “Pushing Daisies” uma série promissora, que estreou cercada de expectativa. Ao longo de sua primeira temporada, porém, a produção de Bryan Fuller (“Heroes”) frustra; sem ousar, amarra seus personagens ao modelo tradicional das séries americanas.
Os belos figurinos, a direção de arte impecável e os planos cuidadosos servem a um roteiro repetitivo. Episódio a episódio, o obrigatório narrador apresenta uma passagem da infância do protagonista, para em seguida conectá-lo ao seu estado atual e logo mais apresentar “os fatos” da morte da vez. Segue-se uma investigação burocrática e o assassinato sempre será solucionado.
O primeiro ano da série, que chega ao Brasil em DVD, começa bem: Ned (Lee Pace), que conhecemos criança, descobre involuntariamente os limites de seu poder - ressuscita sua mãe, que cai dura enquanto faz uma torta, para depois vê-la morrer, ao ganhar um beijo. Enquanto isso, “mata”, sem querer, o pai de sua vizinha Chuck (Anna Friel), seu amor de infância.
O protagonista testa suas forças para descobrir que seus mortos-vivos só podem ficar “acordados” por um minuto. Ultrapassado o limite, o destino escolhe, por proximidade, outro alguém para morrer. Adulto, Ned toca uma fabriqueta de tortas, e é levado por um “investigador” parasita a usar seu poder para coletar recompensas ao desvendar “misteriosos” assassinatos.
No caminho, “deus” Ned devolve a vida a Chuck, em quem nunca mais poderá tocar. Ela agradece seguindo-o de lado a outro e guardando seu segredo. Completa o quarteto a garçonete Olive (Kristin Chenoweth), que, apesar de apaixonada pelo moço, vira confidente de Chuck. Olive passa a visitar as duas reclusas tias da amiga, que todos pensam estar morta, até receber a notícia de que uma delas é mãe de Chuck. Essa promete ser a reviravolta da segunda temporada, que já começou a ser filmada. A ver.