09 de julho de 2026
Regional

Padre critica vereadores da Barra

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Barra Bonita - Ao aprovarem aumento de 29% para os próprios salários, parte dos vereadores de Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru) talvez não imaginasse o efeito negativo da decisão. O funcionalismo público prometia para ontem à noite comparecer à sessão para pressionarem os parlamentares a retirar o projeto. Entretanto, a crítica mais contundente contra o aumento veio do padre Fábio Rogério Timóteo, páraco da Igreja de Santo Antonio. Timóteo registrou toda sua indignação no sermão da missa de domingo, às 18h30. “Uma vergonha, uma vergonha”, desabafou o pároco, arrancando aplausos dos fiéis.

O primeiro a se livrar do polêmico aumento foi o prefeito Mário Donizette Teixeira (PC do B), o padre Mário, que vetou a proposta, que também reajusta os vencimentos do prefeito e do vice para o período 2009-2012. Estava prevista para a sessão de ontem a discussão do veto do Executivo aos projetos de lei aprovados na última segunda-feira. A Câmara tem poder de derrubar o vento, mantendo o reajuste ou aprová-lo.

Ontem, os representantes do Sindicato dos Servidores Municipais de Barra Bonita fizeram um corpo-a-corpo com os funcionários públicos municipais para persuadi-los contra o reajuste de 29%. O presidente do sindicato, Marcos Edivaldo dos Santos, explica que o aumento criou um sentimento de descontentamente na população com os vereadores. “É um aumento absurdo”, salienta. Ele comenta que o servidor, na ocupação de vigia, coletor de lixo, zelador, recebe cerca de R$ 533,00 por mês e o maior salário entre os concursados é de, aproximadamente, R$ 1.054,00 pago a médicos. Os servidores municipais obtiveram R$ 50,00 de aumento neste ano. Caso o reajuste seja mantido, um vereador de Barra Bonita receberá R$ 3.600,00, na legislatura 2009-2012. O próximo prefeito passará dos R$ 8.929,25 mensais para R$ 11.500,00 e o vice-prefeito saltará dos R$ 4.727,25 para cerca de R$ 6 mil.

A proposta não conseguiu unanimidade nem no Legislativo, onde três vereadores votaram contra o reajuste. Os parlamentares Matheus Stangherlin (PT), César Guerra (PSDB) e Clodoaldo Aparecido de Almeida (PSDB) avaliaram que não era o momento para reajustar os vencimentos. Porém, os projetos foram aprovados com o voto dos vereadores Antonio José Biliazzi (PMDB), Antonio Marcos Gava Junior (PSB), Marcos Oliveira dos Santos (PDT), Sonia Aparecida Gonçalves Belarmino (PTC) e Vicente Apparecido Nardo (PR).

O presidente da Câmara, o vereador Manoel Fabiano Ferreira Filho (PSDB), só votaria em caso de empate. No entanto, Ferreira Filho declarou ser favorável. Ele e os cinco parlamentares que votaram a favor do reajuste assinaram a proposta de aumento.

Existe uma lei municipal que prevê o reajuste no último ano da legislatura, no caso 2004-2008, para vigorar na próxima, 2009-2012. Até o fechamento desta edição, a sessão ordinária ainda não havia começado.