09 de julho de 2026
Regional

Dado como morto, homem reaparece

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Agudos - A Polícia Civil de Agudos (13 quilômetros de Bauru) encerrou a investigação sobre o desaparecimento de José Carlos dos Santos, 44 anos. O homem, que vinha sendo dado como morto, vítima de um violento assassinato, estava preso na cidade de Conchas, na microrregião de Botucatu.

O desaparecimento do aposentado foi registrado pela família em janeiro deste ano, três meses depois do sumiço, uma vez que ele era acostumado a desaparecer. Dependente de álcool, Santos costumava passar um tempo viajando por cidades da região, mas sempre retornava.

Em outubro do ano passado, ele desapareceu e não retornou até janeiro, quando a família registrou o fato na polícia. O caso seria mais um de desaparecimento não fosse a existência de uma testemunha, que declarou para a polícia ter visto dois irmãos agredirem Santos por causa de uma dívida.

A testemunha teria contado que os irmãos teriam embebedado Santos e, em seguida, aplicado uma severa agressão. Santos teria desmaiado e seu corpo teria sido jogado em um dos fornos da carvoaria na Chácara Avato, onde os acusados trabalhavam.

A suspeita levou a Polícia Civil a investigar o crime, que seria bárbaro. Os irmãos, que tiveram suas identidades preservadas, estavam presos acusados de outros crimes, porém nunca chegaram a confessar essa morte.

Segundo o delegado que preside a investigação, Jader Biazon, foram vários indícios que levaram a pensar que Santos havia sido morto e carbonizado no forno de carvão.

“Além da testemunha, tínhamos o fato do desaparecimento ter sido registrado somente três meses depois. Isso levou a pensar que se ele realmente tivesse sido colocado no forno, os ossos teriam sido totalmente destruídos, o forno não parou e, portanto, as provas materiais, se tivessem, teriam sido destruídas.”

Outra situação que intrigava a polícia era o fato de Santos não estar retirando seu benefício junto ao INSS e nunca ter mandado notícias para a família que continuava vivendo em Agudos.

Sumiço e prisão

Segundo informações da família na época do desaparecimento, Santos foi visto pelo última vez no dia 7 de outubro de 2007. Ele foi preso no dia 18 do mesmo mês e ano no albergue de Botucatu. Responde processo acusado de atentado violento ao pudor e aguarda julgamento na Cadeia de Conchas.

O sumiço de Santos foi esclarecido pela própria família que, na semana passada, recebeu uma correspondência dele, informa Biazon.

“Ele escreveu para o filho requerer seu benefício junto ao INSS, que estava parado desde o seu desaparecimento. A ex-mulher dele trouxe a carta para a polícia.”

A polícia não acreditou e suspeitou que outra pessoa estivesse usando o documento dele. “Fomos certificar e era ele mesmo. Ele disse que não avisou a família porque não queria dar trabalho para ninguém. Não queria que ninguém soubesse que ele estava preso.”

Na opinião do delegado, Santos está melhor do que estava na época de seu desaparecimento. “Ele era dependente de álcool e na cadeia ficou sem a bebida. Está mais forte do que nunca e é uma pessoa bem esclarecida.”

Santos teria deixado Agudos, passado por Lençóis Paulista e parado em Botucatu, de acordo com o que apurou a polícia. “Em Botucatu, ele estava em um albergue com uma mulher. Ele beijou a força a mulher e ela acionou a polícia. Ele foi preso por atentado violento ao pudor.”

Investigação encerrada

Para o delegado Jader Biazon, o caso do desaparecimento de Santos está encerrado. “Vou ouvir a testemunha que garantiu ter visto os dois irmãos colocarem a vítima no forno. Quero saber porque ela mentiu, se mentiu. Tinha duas ou três vítimas que os irmãos tentaram jogar no forno, não era só uma prova eram várias.”