08 de julho de 2026
Internacional

Fronteira entre Bolívia e Brasil é fechada

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

La Paz - Grupos de opositores ao presidente da Bolívia, Evo Morales, fecharam ontem as fronteiras com o Brasil na região de Santa Cruz (leste) e anunciaram a expulsão dos voluntários e funcionários cubanos e venezuelanos que trabalham no departamento (Estado) autonomista.

“As saídas para o Brasil e os postos alfandegários estão fechados, e os escritórios de migração foram tomados”, disse o presidente da União Juvenil de Santa Cruz (UJC), David Sejas. Ainda segundo o líder, a medida será “radicalizada” com sua extensão às outras regiões opositoras.

Com os bloqueios de estradas nas regiões de Santa Cruz, Beni, Tarija e Pando, a oposição exige que o governo volte a liberar os recursos provenientes de impostos sobre o petróleo, que atualmente são destinado a financiar benefícios para idosos.

Essas ações, que em alguns casos derivaram em ocupações violentas de instituições estatais e em interrupções de rodovias, são lideradas pelos governadores e por líderes civis dos quatro departamentos de maioria opositora.

Há 15 dias, o bloqueio de estradas no leste e no sul da Bolívia provocou uma grave crise no fornecimento de combustíveis aos quatro departamentos.

Em Beni, os líderes civis disseram que nas próximas horas “não permitirão” as saídas para o Brasil “por Guayaramerín”, ao passo que, em Pando, as pontes Internacional e da Amizade, que fazem ligação com o território brasileiro, também foram fechadas, informou a imprensa local.

“Faremos todo o possível para que restituam o IDH, reconheçam a autonomia departamental”, e para que o governo “detenha essa Constituição (...) que quer nos impor”, disse Sejas.

O ativista lembrou que hoje termina a “trégua” de 72 horas dada pelas organizações civis, após a qual a pressão dos protestos deverá ser intensificada. Segundo Sejas, não estão descartadas a ocupação de aeroportos e o corte nas exportações de gás ao Brasil e à Argentina.

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Petrobras diz que confia no bom senso

Rio de Janeiro - A diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, disse ontem que não está preocupada com a possibilidade de o fornecimento de gás oriundo da Bolívia ser interrompido, diante da instabilidade política naquele país.

Segundo a executiva, a Petrobras acredita no “bom senso” dos políticos bolivianos, e por ora, não há indício mais forte de que o gás não será enviado conforme o previsto.

“A Petrobras não se vê preocupada porque acredita no bom senso dos dirigentes da Bolívia. Essa é uma questão política interna deles. Até onde sei, o governo brasileiro tem estado permanentemente em diálogo com a parte brasileira da Bolívia. Se está conversando com a parte boliviana, eu não sei. Mas até agora não temos nenhum sinal forte inequívoco de que a gente possa perder uma molécula de gás sequer”, afirmou.

Foster disse que executiva garantiu que a Petrobras sempre tem um plano de contingência preparado caso haja problemas de suprimento do gás importado, sem revelar detalhes. A Petrobras já vem adotando o chamado “empacotamento’’ do gás boliviano, revelou. Sem admitir que essa medida tem relação direta com a possibilidade de problemas no fornecimento, Foster explicou que essa medida consiste em aumentar a pressão sobre o gás colocado no gasoduto, como forma de se armazenar quantidade maior ali dentro. São importados, diariamente, em média, 31,7 milhões de metros cúbicos de gás.