08 de julho de 2026
Internacional

Furacão Ike leva Cuba a declarar alerta máximo

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Havana - O furacão Ike, que atravessa Cuba, foi rebaixado ontem da categoria 3 para 1 - em escala de 1 a 5 - logo após o país decretar alerta máximo em todo o seu território. O Ike já deslocou 1,5 milhão dos 11,2 milhões de habitantes de Cuba e matou ao menos 61 no Haiti, onde centenas morreram com a tempestade tropical Hanna.

“Toda a nação está agora no que em guerra se chama alerta de combate”, escreveu o ex-ditador cubano Fidel Castro.

O Ike deve atingir na hoje de amanhã a capital Havana, com 2,2 milhões de habitantes. A preocupação na cidade, onde 70% das casas estão em estado regular ou ruim, recai também sobre edificações reconhecidas como patrimônio da humanidade.

O Ike deve partir em seguida para o golfo do México, onde se produz um quarto do petróleo americano, e, atingir no fim de semana a divisa do Texas com a Louisiana.

No dia 30 de agosto, o furacão Gustav, de categoria quatro, atingiu Cuba. Não deixou mortos, mas danificou 140 mil casas e devastou plantações.

Embora menos forte, o Ike causou impacto econômico muito maior. Enquanto o Gustav atingiu uma Província com menos de 10% da população cubana e importância econômica menor, o Ike atravessa de leste a oeste a ilha, cuja fragilidade financeira levou recentemente ao atraso do pagamento de dívidas por conta dos preços de commodities. O Ike já paralisou minas de níquel - maior produto de exportação do país -, destruiu plantações de açúcar, derrubou parte da safra de café e atingiu a indústria do turismo. No balneário de Varadero - cujos 12 km de praia acolhem 40% dos 2,2 milhões de visitantes anuais ao país-, foram deslocados 13 mil turistas.

No sábado, o Ministério do Exterior cubano recusou uma oferta americana de envio de analistas de desastres, dizendo que “a única (ação) ética” seria o fim do embargo econômico dos EUA à ilha, instaurado em 1962. Mas para a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, o fim do bloqueio “não seria sábio”

O Ike, que entrou na ilha na noite de ontem por Punta Lucrecia, na Província oriental de Holguín, avança paralelamente à costa nordeste de Cuba em direção à região central com ventos de 165 km/hora e rajadas superiores, de acordo com o Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês), dos Estados Unidos. Às 6h locais (7h de Brasília), o centro do furacão estava situado 45 km ao sudeste da Província oriental de Camagüey e se deslocava rumo ao centro de Cuba a 24 km/h.

Fortes chuvas, inundações e ventos intensos afetam toda a região oriental, sobretudo em Holguín, onde o furacão danificou casas, derrubou árvores e provocou a interrupção do serviço de energia elétrica da Província.

A beira do olho do furacão Ike alcançou a costa nordeste de Cuba às 21h locais deste domingo (22h de Brasília), com ventos máximos sustentados de 195 km/h e ondas de até sete metros.

Antes de tocar a costa cubana, ele afetou a costa de Guantánamo com ondas de até sete metros, fortes chuvas e inundações de áreas litorâneas. O mar entrou até 400 metros em Baracoa (Guantánamo), enquanto as Províncias de Holguín e Las Tunas começavam a sentir rajadas de vento de 130 km/h.