08 de julho de 2026
Internacional

EUA rompem pacto nuclear com a Rússia

Por Folhapress | Com Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

Washington - Enquanto a Rússia busca um tom conciliador com a UE, cliente dos seus recursos energéticos, as relações com os EUA pioraram ainda mais na segunda-feira, com o anúncio de exercícios navais russos no Caribe, maior movimentação desse tipo desde o fim da Guerra Fria. Os EUA, por sua vez, anunciaram a rescisão de um acordo nuclear civil bilateral.

Em resposta à invasão da Geórgia, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, cancelou ontem um acordo de cooperação nuclear com a Rússia. O pacto tinha propósitos pacíficos e previa a ampliação do comércio de urânio entre usinas americanas e campos de produção da matéria-prima na Rússia. O anúncio foi assinado pela secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, e lido pelo porta-voz da Casa Branca, Sean McCormack.

Embora seja uma “punição” pelos ataques da Rússia à Geórgia no conflito envolvendo a Ossétia do Sul e a Abcásia, a quebra do acordo pode ser revista e é encarada apenas como um gesto simbólico do governo em Washington. A decisão foi tomada por Bush antes que o pacto fosse votado no Congresso, onde sua rescisão poderia impedir a retomada do acordo no futuro.

“Tomamos essa decisão com arrependimento. Infelizmente, devido ao ambiente atual, não é a hora certa para esse acordo. Vamos reavaliar a situação numa data futura”, dizia o próprio comunicado. O acordo é considerado lucrativo e por isso, poderá ser retomado pelo próximo presidente dos EUA.

Além de transferir tecnologia nuclear de ponta dos russos aos americanos, o acordo previa o uso da energia nuclear para amenizar os efeitos do aquecimento global em todo o mundo e manter o urânio longe das mãos de países considerados terroristas.

Em Moscou, um oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia - que não quis ser identificado - falou à agência de notícias russa ITAR-Tass que a “decisão está assentada no caminho rumo ao desenvolvimento da relações bilaterais (entre Rússia e EUA)” e que “o passo pode ser revertido”.

Acordo da Rússia com UE

A Rússia aceitou ontem retirar completamente suas tropas da Geórgia dentro de um mês, mas a promessa não inclui as regiões separatistas da Ossétia do Sul e Abkházia, agora considerados países independentes por Moscou.

Após quatro horas de conversa num castelo nos arredores de Moscou, os presidentes Dmitry Medvedev (Rússia) e Nicolas Sarkozy (França) anunciaram a retirada de centenas de soldados ainda estacionados em zonas-tampão dentro do território incontestavelmente georgiano.

“Se tudo isso acontecer conforme indicamos... significará que em pouco mais de um mês um conflito que poderia ter tido conseqüências humanas muito piores terá acabado. Quero dizer que as armas vão se calar”, disse Sarkozy em entrevista coletiva.

Rússia não recuará

Ao deixar a reunião com Sarkozy, Medvedev deixou claro que não vai recuar na decisão de reconhecer a independência da Ossétia do Sul e Abkházia. Mais do que isso, a chancelaria russa anunciou o estabelecimento formal de relações com as duas repúblicas.

“Quanto ao reconhecimento, para nós a questão está encerrada. Do ponto de vista do direito internacional, para nós dois novos Estados surgiram”, disse Medvedev, prometendo ainda cooperação em vários níveis, inclusive militar.

Medvedev disse que aceitou retirar tropas da Geórgia porque a França, em nome da UE, ofereceu garantias de que Tbilisi não tentará novamente recuperar os territórios à força.

A retirada também depende do envio de uma força internacional, inclusive com cerca de 200 integrantes da UE, para monitorar as tropas russas, segundo nota divulgada pelo Kremlin.

A Rússia diz que só enviou tropas porque precisava evitar um genocídio nas regiões separatistas por parte das forças da Geórgia, cujo governo é aliado do Ocidente e pleiteia uma vaga na Otan.