08 de julho de 2026
Esportes

Antiga rivalidade com o BAC atrapalha?

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

A falta de apoio do bauruense ao Noroeste é fato, conforme demonstrou reportagem do JC sobre o assunto no último domingo. Além dos motivos elencados na matéria para justificar o desinteresse da torcida local pelo time, como a forte “concorrência” dos jogos dos grandes times na TV, há também quem considere que a antiga rivalidade com o Bauru Atlético Clube (BAC), atualmente extinto, é um dos fatores que ajudam a explicar a situação.

Em décadas passadas, os clubes e seus torcedores alimentavam forte rivalidade nas competições que disputavam, gerada, principalmente, pelas diferenças nas origens das agremiações. Enquanto o BAC era considerado um time que arrebanhava seguidores, em grande parte, da classe média e até um pouco mais elitizados, a “Maquininha Vermelha” tinha admiradores oriundos das classes sociais mais populares, como os ferroviários, que ajudaram a fundar o Noroeste.

Mas a ferrenha rivalidade esmoreceu a partir do momento em que o BAC deixou de competir oficialmente em campeonatos, em meados da década de 60. Com isso, teriam os “baqueanos” se recusado a torcer posteriormente para o Norusca, iniciando uma resistência contra o clube e os noroestinos que duraria até hoje?

Não é o que afirmam historiadores bauruenses. Para o historiador João Francisco Tidei de Lima, um ex-baqueano “roxo”, a rivalidade entre as duas equipes era saudável e animava o futebol e, após o “sumiço” do BAC, muitos ex-baqueanos debandaram-se para as fileiras noroestinas. “Todos nos transformamos em noroestinos e passamos a acompanhar o Noroeste em muitos jogos fora, até em caravanas. Íamos torcer com o mesmo amor que tínhamos pelo BAC, pois o Noroeste se tornou o representante da cidade e o clube do coração da gente”, ressaltou. E acrescentou:

“Dizia-se mesmo, na época, que o Noroeste era um clube mais popular do que o BAC porque tinha nascido dos ferroviários, enquanto que o BAC nasceu do interior da classe média. O desaparecimento do BAC foi ruim, mas toda essa afeição por ele transferiu-se ao Noroeste.”

Igual raciocínio tem o também historiador Luciano Dias Pires. “A rivalidade não explica. Muitos ex-dirigentes e jogadores, como o Gino Bacci, foram ser diretores ou sócios do Noroeste. Naquela época a cidade acabou aceitando o Noroeste e tinha muita gente do comércio que era noroestino, não eram só os ferroviários.”

Para Lima, não são somente os bauruenses que demonstram desinteresse pelo futebol. “Vivemos uma conjuntura complicada. A sociedade está desmobilizada em todos os segmentos. Essa falta de entusiasmo pelo Noroeste, uma espécie de comodismo, não é só em Bauru. É geral. É uma conjuntura nacional que culminou com a precarização do futebol do interior. Em várias cidades do interior, onde há times de expressão, o futebol anda em baixa, como em Ribeirão Preto, Presidente Prudente e Rio Preto”, conclui.