Uma pesquisa realizada pelo Sindicato dos Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo (Udemo) em escolas estaduais de São Paulo apontou que, em todo o Interior, 82% das unidades estaduais de ensino sofreram algum tipo de ato violento em 2007. Os principais são depredação, pichação, briga entre alunos e desacato a professores e funcionários. Em Bauru, não é diferente. De acordo com a Diretoria Regional de Ensino (DRE), pichação, brigas entre alunos a arrombamentos das escolas são os principais problemas enfrentados.
A Udemo enviou 5,3 mil formulários às escolas da rede estadual. Foram devolvidos 683 respondidos. Segundo a entidade, em Bauru, cerca de 20 escolas preencheram os formulários. Foram listados dano a bens materiais, atos de violência contra pessoas e também pesquisado em que período mais ocorre estas ações. Os resultados foram divididos em Interior, Litoral, Capital e Grande São Paulo.
A região metropolitana apresentou os piores índices. De acordo com o divulgado pela Udemo, 97% das escolas da Grande São Paulo foram vítimas de algum tipo de violência em 2007. O Interior teve o resultado mais positivo - 18% das escolas afirmaram não ter sofrido nenhum ato de violência.
Entre as ações contra o patrimônio, no Interior, a mais comum é a depredação dos prédios, verificada em 64% das escolas que responderam a pesquisa. A pichação ficou em segundo lugar. Para Vera Nilce Jarussi, dirigente regional de ensino, em Bauru esse tipo de vandalismo é o principal ato de violência nas escolas. “É uma coisa difícil de se combater. Até porque não acontece somente nas escolas, mas em toda a cidade”, destaca.
Maria José de Oliveira Faustini, presidente da Udemo em Bauru, destaca que a realidade enfrentada pelo profissional do magistério nas escolas estaduais da cidade e região não difere muito da apontada pela pesquisa. “A violência é generalizada. A indisciplina é incontrolável. Faltam limites aos alunos. Os jovens não têm respeito por professores e diretores, mas em suas casas muitos também não respeitam os pais”, pondera.
Para ela, faltam funcionários nas escolas estaduais e isto é um dos agravantes. “As dificuldades são muitas. Existe a baixa auto-estima dos funcionários do magistério tanto pelos baixos salários quanto pela falta de condição de trabalho. Há uma falta de perspectiva”, observa.
Para ela, a valorização do profissional da educação, o aumento do interesse da sociedade em auxiliar as escolas e também o trabalho em conjunto com a comunidade colaborariam para reduzir o quadro de violência.
Faustini avalia que, apesar de todos os problemas, os trabalhadores da educação fazem o melhor que podem. “Existe um trabalho positivo em todas as escolas. Todos se esforçam muito para combater isso”, afirma.
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Prevenção
Para Vera Nilce Jarussi, dirigente regional de ensino, além da pichação das escolas, briga entre alunos e arrombamentos estão entre os principais problemas enfrentados pelas unidades de ensino de Bauru e região. Um dos problemas apontados pela pesquisa, o furto de equipamentos eletrônicos, que em 2007 afetou 55% das escolas do Litoral que responderam ao levantamento, caiu em Bauru e região. Ela aponta que muitas escolas adotaram câmeras de monitoramento, por isso esse tipo de violência não é mais tão registrado.
Para combater os problemas mais comuns em Bauru e região, ela afirma que a diretoria tem apostado no trabalho com a comunidade. “Participamos das reuniões com os Consegs (Conselhos Comunitários de Segurança), temos delegados empenhados em resolver esses problemas”, observa. Além disso, ela destaca a parceria com a Polícia Militar, tanto nas rondas escolares, como nos projetos desenvolvidos nas escolas.
“Trabalhamos com a comunidade, na conscientização dos pais e amigos. Buscamos a integração entre o professor coordenador das classes com os alunos. Tudo isso para melhorar o diálogo”, destaca.