10 de julho de 2026
Nacional

Negros vão menos à escola e têm salários menores, aponta o estudo

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O número de homens e mulheres negras nas escolas cresceu entre 1996 e 2006, segundo pesquisa do Ipea, divulgada ontem. Mesmo assim, a diferença entre brancos e negros continua alarmante.

Segundo o instituto, no ensino fundamental a taxa de brancos e negros matriculados é quase a mesma (95,7% e 94,2%, respectivamente), mas conforme o nível sobe, crescem as desigualdades.

No ensino médio, enquanto mais da metade dos brancos está na escola (58,4%), apenas 37,4% dos negros têm a acesso ao estudo. “Os negros e negras estão menos presentes nas escolas, apresentam médias de anos de estudo inferiores e taxas de analfabetismo bastante superiores”, resume a pesquisa.

O abismo racial, no entanto, já foi bem maior. Em 1996, 82,3% dos negros estava matriculado no ensino fundamental, enquanto 90,6% dos brancos estava na escola. Entre os negros na idade para cursar o ensino médio, o percentual era de 13,4%, menos da metade do percentual de brancos no segundo grau (33,8%).

A pesquisa mostra também que maior escolaridade não é suficiente para que as mulheres tenham maior renda que os homens ou cheguem mais a cargos de chefia.

Nos dois graus (ensino fundamental e médio) e tanto entre brancos como entre negros, as mulheres estudam mais. No ensino médio, por exemplo, o número de mulheres em 2006 (52%) era dez pontos percentuais maior que o de homens (42%). “Cabe ressaltar que a vantagem vivenciada pelas mulheres no campo educacional não se traduz em maior ocupação no mercado de trabalho, em postos de trabalhos mais qualificados e em maiores salários”, diz o estudo.

Em relação à renda, a dos homens brancos foi a única que caiu entre 1996 e 2006 (de R$ 1.264,00 para R$ 1.181,00), mas continua muito maior que a dos outros grupos. No ano retrasado, mulheres brancas ganhavam R$ 742,00; homens negros, R$ 583,00 e mulheres negras, em média, ganhavam R$ 383,00.

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Pessoas que se declaram negras chegam a 47%

São Paulo - Entre 1993 e 2006, o número de pessoas que se consideram negras subiu de 42% para 46%, segundo a pesquisa do Ipea. Os números variam em todas as áreas e grupos. “Este fenômeno ocorre em praticamente todas as faixas etárias, indicando que não se trata de uma questão geracional de auto-afirmação e nem tampouco de um fenômeno eminentemente urbano, mas sim de uma tendência observada em toda a população.”

O envelhecimento do brasileiro também é uma tendência observada, mas os negros ainda vivem menos. Em 2006, enquanto 9,3% das mulheres negras tinham 60 anos ou mais de idade, as brancas idosas eram 12,5% do total.

Há 15 anos, as negras idosas eram 7,3% de seu grupo, e as brancas 9,4%. “Apesar de a expectativa de vida da população ter aumentado, as desigualdades entre os grupos permanecem”, concluem os pesquisadores.

Com os homens negros, ocorre o mesmo: em 1993, os negros com 60 anos ou mais eram 6,5% de seu grupo, passando para 7,8% em 2006. Entre os brancos, a porcentagem varia de 8,2% para 10,6%. “Esta constitui, portanto, uma das mais perversas facetas das desigualdades raciais existentes em nosso País, pois as únicas justificativas para essas diferenças residem nas piores condições de vida a que negros e negras são submetidos”, afirma a pesquisa.