09 de julho de 2026
Polícia

MP pede prisão no caso dos remédios

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Ontem, dia em que o advogado Guilherme Goffi de Oliveira e o representante de laboratório farmacêutico Dalton Araújo Pereira voltaram para Bauru após permanecerem dez dias presos, o Ministério Público (MP) pediu à Justiça a prisão preventiva deles e de pelo menos mais dez pessoas também suspeitas de integrar uma quadrilha que patrocinava ações judiciais para forçar o Estado a comprar medicamentos de alto custo, fora da lista de distribuição gratuita.

A iniciativa do promotor Moacir Menincheli Reis foi provocada a partir do inquérito relatado ontem pelo delegado da seccional de Marília, Fábio Pinha Alonso que, durante as investigações referentes à operação “Garra Rufa, identificou outros envolvidos no esquema. “É tudo a mesma quadrilha. Eu continuo as diligências para interrogar outras pessoas. Meu trabalho não acabou. Foi só a primeira parte”, explica o delegado.

De acordo com ele, os novos envolvidos, além dos oito presos inicialmente, não seriam de Bauru. Alonso, porém, preferiu não revelar os nomes, sob argumento de que poderia comprometer a eventual prisão. No entanto, segundo o delegado Alexandre Zakir, cedido pela Secretaria de Segurança Pública para trabalhar na Secretaria do Estado da Saúde, esse não seria o único caso no município.

“Continuamos apurando outros que fogem ao padrão, inclusive em Bauru”, afirma. Ele participou da operação, desencadeada pela Polícia Civil de Marília em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde. Por conta dela, todos os envolvidos foram indiciados por falsificação de documento particular, uso de documento falso, falsidade ideológica e ainda por exposição da saúde de terceiros a risco.

A participação dos acusados foi confirmada em gravações telefônicas. “Caso a investigação prossiga, é possível chegar a outros escalões dentro dessas empresas”, disse Reis à Agência Estado. Extra-oficialmente, comenta-se que os novos suspeitos também são funcionários de laboratórios, mas “melhores graduados” na hierarquia das empresas.

Denúncia

Na denúncia oferecida pelo MP ao juiz de Quatá, Guilherme Duran Depieri, o promotor afirma que os acusados “valiam-se da miserabilidade social, por ganância e de forma imoral acionavam o Estado, tudo para que laboratórios aumentassem o lucro na venda de medicamentos. Caros, os remédios renderiam depósitos em contas, viagens e passagens aéreas, conforme o JC vem divulgado com base na declaração de delegados.

O esquema contaria com pelo menos três grandes células desvinculadas, segundo o MP, que agiam com as mesmas técnicas e objetivos. “Eles atraíam organizações de assistência a pacientes e patrocinavam ações judiciais que induziam a Justiça a erro e forçavam o Estado a adquirir seus medicamentos”, afirmou o promotor ao Diário de Marília, em coletiva à imprensa realizada ontem em Marília.

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Como funcionava

A fraude teria início na Associação dos Portadores de Vitiligo e Psoríase de São Paulo, cuja presidente é Luci Grassi. A entidade encaminhava pacientes para um médico, depois identificado como o dermatologista e clínico geral Paulo César Ramos. Ele é acusado de forjar laudos para embasar processos jurídicos. Os documentos eram encaminhados a dois advogados, um deles o de Bauru – Guilherme Goffi de Oliveira.

Ele e Fabiana de Castro são suspeitos de receber benefícios de representantes de três laboratórios - Mantecorp, Wyeth e Merck Serono - para ajuizar as ações contra a Secretaria de Estado da Saúde e obrigar o Estado a comprar os medicamentos de alto custo. Entre os representantes de laboratório está Dalton Araújo Pereira.

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Trecho gravações

Luci - Eu queria dar um recado para você e para o Dalton: ele pensa que está me passando para trás, mas está enganado.

Guilherme - Por que?

Luci - Ele sabe que a (empresa) se ferrou por causa de denúncia... Ele está passando no doutor Paulo, pegando e vocês estão entrando com ações. Eu também vou denunciar ele.

Guilherme - Não, você pode ficar tranqüila que...

Luci - Olha, eu estou ligado para todos os portadores e estou com as fichas aqui e isso não se faz, ele me passou para trás.

O advogado tenta se explicar, mas não é ouvido.

Luci - Ele vai se ferrar comigo.

Guilherme - Se você conhece o doutor Paulo sabe que ele não está te passando para trás, primeira coisa... (é interrompido)

Luci - Não, vocês estão! Eu estou com todas as fichas e tem dois pacientes aqui, no qual vocês pediram as documentações.

O advogado tenta se explicar novamente.

Luci - Você está falado com a Luci de 53 anos de idade, bem vividos. Ele está pegando receita, pegando todos os documentos, só que... eu vou ser ferrada, mas eu vou ferrar todo mundo.

Áudio segue com advogado tentando se explicar porque o representante de laboratório tem obtido dados de pacientes, que não passariam pela associação.

Fonte: Diário de Marília