Imagine uma prova em que terminar com o recorde mundial não é suficiente para garantir a medalha de ouro. Foi o que aconteceu com a brasileira Shirlene Coelho, do atletismo, na Paraolimpíadas de Pequim. No lançamento de dardo, Shirlene conseguiu 35,95 m, contra 28,84 m da chinesa Wu Qing, que terminou no lugar mais alto do pódio.
A medalha de ouro não foi para a brasileira porque o número de concorrentes era pequeno e a organização realizou uma prova multiclasses, juntando as categorias de F35 a F38 (paralisia cerebral sem utilização de cadeira de rodas). Da classe F37, Shirlene competiu com 3 atletas F35, 4 F36, 9 F37 e 1 F38 (quanto maior o número da classe, menor o comprometimento) e obteve o maior lançamento entre todas.
As medalhas, porém, foram decididas por uma pontuação calculada em relação ao recorde mundial de cada classe. Com 28,84 m, Wu Qing também bateu o recorde, mas da classe F36, e conseguiu 1.662 pontos, contra 1.513 da brasileira. O bronze também foi conquistado com recorde mundial, da polonesa Renata Chilewska, com 24,59 m na F35. “Essa prata vale ouro porque entrei na prova sabendo que seria muito difícil quando juntaram as classes, mas bati a minha própria marca em cinco metros”, afirmou a brasileira.
No quarto dia de disputas, o Brasil conquistou também mais uma prata e um bronze. A prata veio na natação, com Daniel Dias. O brasileiro ganhou sua quarta medalha (as outras três foram de ouro), ao nadar os 50 m borboleta na classe S5 em 36s25. O vencedor foi o americano Roy Perkins, com recorde mundial: 35s95. O bronze foi conquistado pelo corredor Odair Ferreira, da classe T12 (deficiente visual que tem a percepção de vulto), nos 800 m. Ele completou a distância em 1min53s73.