09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Quem respeita quem?


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É muito engraçado que todos passam metade do seu tempo no horário político falando em melhorar a Saúde. Dizem que os munícipes precisam ser respeitados, tratados com dignidade. Alguns tem o bom senso de dizer que é necessário melhorar o salário dos funcionários do setor. É público e notório que faltam médicos e funcionários nas Unidades de Saúde, seja nas Unidades Básicas ou de Emergências.

A população, revoltada, muitas vezes por dia descarregam sua ira nos médicos e funcionários de enfermagem, administração e de outros setores. Se faltam medicamentos, xingam a funcionária da farmácia, como se fosse ela a culpada disso, ou, como se ela devesse usar o próprio salário para colocar medicamentos na farmácia da Unidade de Saúde.

Costumo dizer que as pessoas reclamam na hora errada, no lugar errado e com a pessoa errada. Trabalhamos sobrecarregados e sem proteção, principalmente no Pronto Socorro da Bela Vista. Quando questionamos os “vigias”, respondem que a função deles é cuidar do “patrimônio” da Prefeitura. Referem-se ao patrimônio material, o matrimonio humano (os funcionários que fazem o “patrimônio material” funcionar), que se danem, que corram o risco de serem agredidos até fisicamente, como frequentemente acontece.

Aí eu pergunto: quando os funcionários públicos, principalmente na área da saúde, serão respeitados, tanto pela população quanto pela administração municipal? É fácil crucificar os médicos e dizer que eles não podem sequer fazer greve pois se trata de “serviço essencial”. Por que , então, não somos tratados como funcionários essenciais?

Não discuto a dificuldade que a população encontra para conseguir atendimento digno, em quantidade adequada, o que questiono é o por que agredir, desrespeitar exatamente aqueles que, a peso de sacrifício, prestam o atendimento, mesmo que precário aos que procuram os Pronto Socorros pois, nas Unidades Básicas o número de consultas é limitado e fim de conversa. Sem falar na falta muito maior de médicos na rede básica que na emergencial.

Então eu fico me perguntando como e quando realmente se fará uma adequação no número de profissionais e nos salários dos funcionários da saúde. Ou será que não somos essenciais? Não vejo outro modo de encerrar essa matéria senão perguntando: quem precisa respeitar quem?????

Áureo Antonio Érnica - CRMSP 33.576 - RG 5.364.772-5