Um passarinho comercializado por apenas R$ 50,00 teria sido o estopim para o 25º assassinato de Bauru neste ano. Desta vez, quem perdeu a vida foi um adolescente de 16 anos, morto ontem à tarde (aparentemente com dois tiros), na quadra 11 da rua Jeso Contijo de Moraes, no Parque Jaraguá. A vítima, Afonso Freitas dos Anjos, foi baleado quando acompanhava um amigo, Alexandre Monteiro, 24 anos, que anteontem havia comprado a ave.
Ocorre que ontem o pássaro amanheceu morto. Como fazia poucas horas que o negócio havia sido fechado, Alexandre procurou o rapaz de 16 anos que lhe havia vendido o passarinho para solicitar o dinheiro de volta. O vendedor, então, teria pedido que ele passasse depois em sua casa. Acompanhado por Afonso e outro rapaz de 15 anos, Alexandre seguiu com os amigos para a saída de uma escola, onde iriam paquerar.
Na volta, passou pela quadra 11 da rua Jeso Contijo de Moraes para reaver o dinheiro do passarinho. Quando chegou, o pai do rapaz de 16 anos que lhe havia vendido a ave estaria aguardando sobre uma moto, já armado, segundo Alexandre informou à reportagem. De acordo com a Polícia Militar, trata-se de um homem de 39 anos. “O irmão dele me pegou pelo pescoço e me deu uma gravata. Meu deu socos também. Eu falei, vamos conversar. Mas não teve conversa”, comentou Alexandre, na delegacia.
Ainda preso pelo pescoço, ele contou que percebeu quando os tiros foram desferidos. Poucos metros de lá, Afonso caiu ferido. Segundo a PM, os projéteis o atingiram na região abdominal e o transfixaram, o que teria provocado hemorragia interna. A vítima foi socorrida por uma unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Pronto-Socorro Central (PSC), mas logo depois morreu.
Com medo de serem os próximos feridos, seus amigos correram e só foram localizados pela PM após informação passada pela irmã da vítima. Ela havia avistado o trio pouco antes do homicídio. Por indicação dela, os policiais chegaram ao endereço do garoto de 15 anos, que informou o de Alexandre. A versão deles foi a mesma. Até a esposa do suspeito de efetuar os tiros teria admitido aos policiais que os disparos foram feitos, mas alegou que teriam sido dados para cima.
Com a autorização dela, a PM vistoriou o imóvel, mas não localizou a arma, nem o suspeito e seu filho de 16 anos. O homem, além de vender pássaros, faria negócios com carros, informaram os policiais ao JC. O caso foi registrado como homicídio no plantão da Polícia Civil, para onde as testemunhas foram levadas. A família da vítima estava desconsolada, assim como os amigos, para quem Afonso era um rapaz correto.
Morador do Jardim Andorfato, ele estava fora da escola, assim como os colegas envolvidos na ocorrência, que vivem no Parque Jaraguá. Os nomes dos adolescentes envolvidos no caso estão sendo preservados em observação ao Estatudo da Criança e Adolescente (ECA).
O homicídio anterior ao de ontem foi registrado na Vila São Manuel, nesta semana. Uma moça de apenas 21 anos foi presa após confessar ter ateado fogo ao corpo da própria mãe, que foi encontrado carbonizado na cozinha da casa onde morava. Daiane Cristina Barbosa confessou ter ateado fogo no corpo de Maria Nilcéia Barbosa, 39 anos, que também foi golpeada.