08 de julho de 2026
Geral

Rede pública restringe fator a hemofílico

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O Ministério da Saúde (MS) orientou os hemocentros do País a restringir a distribuição de fator aos hemofílicos - pessoas com deficiência na coagulação do sangue. O fator é aplicado justamente para estancar hemorragias. Quando muito freqüentes, os pacientes levam para casa doses de fator, que podem ser aplicadas no próprio domicílio em caso de urgência. A comodidade, no entanto, foi suspensa inclusive em Bauru.

Com a determinação do MS vigente desde o início do mês, numa situação de urgência e emergência, o hemofílico terá de se deslocar até o hemonúcleo para tomá-lo. A situação, no entanto, ainda não resultou em queixas entre os 15 pacientes da cidade. “Por aqui está tudo normal. Só não podemos ceder as doses domiciliares de urgência. É a segunda vez que acontece. Em junho também nos pediram para economizar”, explica Telma Márcia de Carvalho Frigo, enfermeira do Hemonúcleo de Bauru.

A medida federal foi necessária por conta da escassez do hemoderivado no Brasil. Segundo a assessoria de imprensa do MS, as compras do produto, que é importado, ocorrem dentro de um cenário mundialmente desfavorável. Atualmente, existe aumento da procura pelo fator. A situação reduz a quantidade disponível para compra e eleva o preço cobrado pelos laboratórios fabricantes.

“Mas temos tomado as providências necessárias para garantir o abastecimento dos hemocentros do País. O Brasil e vários outros países são obrigados a negociar a oferta de fator com apenas três grandes laboratórios multinacionais, que se utilizam das leis de mercado para pressionar os compradores e limitar o acesso ao insumo”, informa nota da assessoria.

Distribuição

De acordo com o órgão de comunicação, em agosto o governo federal distribuiu aos Estados e ao Distrito Federal 18 milhões de unidades de fator 8, total considerado suficiente pela área técnica para suprir a procura num período de 30 dias previsto em cronograma acordado entre o Ministério da Saúde e as secretarias estaduais. Para setembro, uma nova remessa de 20 milhões reforçará os estoques no País. O quantitativo previsto para outubro é de 22 milhões de unidades.

A hemofilia A é a mais comum e decorre da falta do fator 8. Ocorre em 90% dos casos. Já o portador da B, não conta com fator 9. Nos quadros graves e moderados, os sangramentos repetem-se espontaneamente. Em geral, são hemorragias intramusculares e intra-articulares que desgastam primeiro as cartilagens e depois provocam lesões ósseas.

Os principais sintomas são dor forte, aumento da temperatura e restrição de movimentos. As articulações mais comprometidas costumam ser joelho, tornozelo e cotovelo. Por enquanto, não há cura para a hemofilia. Controla-se a doença com injeções regulares dos fatores de coagulação deficientes.