Paris - Na sua primeira visita à França como pontífice, o papa Bento XVI discursou ao lado do presidente francês, Nicolas Sarkozy, dizendo que a religião e a política devem estar abertas uma para a outra. Ele conclamou os católicos franceses a se fazerem ouvidos na França e em outros países de tradição secular.
O papa foi recebido pelo presidente francês e a primeira-dama, Carla Bruni, no aeroporto de Orly e foi levado para o Palácio do Eliseu. O papa saudou a França por manter as raízes do catolicismo em sua cultura e pelo “diálogo sereno e positivo’’ entre fé e poder.
De sua parte, Sarkozy, divorciado duas vezes e que raramente vai a missas, disse que seria “tolice’’ para a França ignorar a longa história do pensamento cristão no país sobre Deus, o homem e a natureza.
Falando em francês fluente, o papa reconheceu que “é fundamental, por um lado, insistir na distinção entre a esfera política e a esfera religiosa”, mas que é necessário “se tornar mais ciente do papel insubstituível da religião na formação de consciências (e) na criação de um consenso ético básico dentro da sociedade’’.
A Igreja Católica Francesa mantém uma estrita separação entre a Igreja e Estado. No entanto, a Igreja Católica tem perdido fiéis no país. Um pesquisa do instituto Ifop mostrou que menos de 10% da população freqüenta as missas da igreja aos domingos. Nos últimos anos, o crescimento do islamismo na França tem motivado a Igreja Católica a participar mais na vida social no país.