08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Sai de cima do telhado!


| Tempo de leitura: 1 min

A partir de 1967, no Brasil, o mito dos monstros que antes aterrorizava apenas as crianças passou a afligir os adultos, majoritariamente a imprensa. Na década de 60, com a instauração do regime militar, houve a redução drástica do direito à liberdade, pela implantação da censura. Após esse período, o monstro adormeceu – mas passados quarenta anos de sua criação, estão prestes a acordá-lo.

Conforme Érico Veríssimo: “as palavras são sombras das coisas”. Possuem simetria equivalente à realidade, mas nem sempre as dimensões são compatíveis. É nesse ponto que a invenção atualizada de Gutenberg extravia-se. Jurar a ética com os dedos cruzados é ignominioso. Porém, mais do que vergonhoso: é privar-nos da comunicação.

A discussão para a escolha entre acordar a fera ou aprisioná-la aos moldes de um jornalismo livre, iniciou. Retomando a fervorosa dualidade: informação versos privacidade. É um debate não perecível! A convicção segura é que “a gente quer ter voz ativa” – como canta Chico Buarque. A nossa experiência com essa figura colossal foi altitonante. Em tempos de ditadura febril, seguramos firmemente o “Cálice”, atemorizados com o “bicho-papão” que não saía de cima de nossos telhados. Quem ousou derrubá-lo sofreu com as cócegas da tortura.

A comunicação social é a base para a formação de uma sociedade sólida. Durante muitos anos nossas idéias foram aprisionadas em aspas medíocres. A ironia e a ambigüidade camuflavam o descontentamento. Éramos anfíbios. Possuíamos duas identidades: a genuína e a de submissão à ideologia da “Roda-Viva”. Não temos fome somente de comida. Além da ética não paisagista, queremos a astuta liberdade. O monstro deve ser preso e transfigurar-se de dominante a dominado. Desse modo, poderemos gritar sem medo de acordá-lo. E Geraldos e Edsons poderão ser poupados do cativeiro das aspas.

Bruna Silvestre Innocenti Giorgi