La Paz - O presidente boliviano, Evo Morales, disse ontem que pistoleiros brasileiros e peruanos contratados por oposicionistas participaram dos confrontos na última quinta-feira que deixaram ao menos 16 mortos no departamento de Pando.
“Como defender a unidade do país? Não se pode entender como pistoleiros brasileiros e peruanos tentem dividi-lo, massacrando o povo. Aqui não houve enfrentamento, mas massacre”, disse Morales, em rápida entrevista coletiva realizada ontem de manhã no Palácio Quemado, em La Paz.
“O que aconteceu em Cobija - submetralhadoras, narcotraficantes, brasileiros e peruanos operando sob as ordens do departamento de Pando- é muito grave, obviamente”, afirmou Morales, sem dar mais detalhes. Ele saiu após responder a apenas duas perguntas.
Até o fim da manhã de ontem, o governo brasileiro não havia sido informado oficialmente sobre a suposta participação de brasileiros. Até a conclusão desta edição, o Itamaraty informava que não se pronunciaria sobre as declarações de Morales.
Ontem, o ministro de Governo, Alfredo Rada, disse que o número de mortos nos enfrentamentos entre camponeses pró-Morales e opositores já subiu para 16, mas que o número pode chegar a 30 caso sejam confirmadas informações de que mais cadáveres foram encontrados em rios da região. O episódio ocorreu no vilarejo de Porvenir, a 30 km da capital do departamento, Cobija.
Devido à violência em Pando, departamento amazônico na fronteira com o Brasil, o governo de Evo Morales decretou estado de sítio ontem e ocupou militarmente o aeroporto, em uma operação que deixou um marinheiro morto.
Em entrevista à rádio Fides, o governador de Pando, Leopoldo Fernández, negou a contratação de pistoleiros peruanos e brasileiros e convocou a imprensa nacional e internacional para confrontar versões.
Em sua versão do episódio em Porvernir, não houve ataque contra os camponeses, mas um tiroteio entre dois grupos. “A situação saiu do controle. Aqui todo mundo lida com armas, tem um rifle, uma escopeta”, continuou o governador.
Ele também negou a informação prestada por parlamentares governistas de que teria fugido para o Brasil após a decretação do estado de sítio.
“Nunca nos passou pela cabeça sair daqui.” Ontem, Morales deu a entender que o conflito político está longe do fim: “Conseguir a igualdade entre os bolivianos ainda terá um custo”, afirmou.
O assessor internacional do Planalto, Marco Aurélio Garcia, informou ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá à cúpula de emergência da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) sobre a crise boliviana, marcada para hoje em Santiago do Chile.