08 de julho de 2026
Regional

Eles têm futuro

Dayran Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

Lins - A inclusão no mercado de trabalho se tornou possível para 12 deficientes mentais de Lins (102 quilômetros de Bauru). O grupo integrou a “Oficina de Trabalhos Experimentais – Projeto de Inclusão de Pessoas com Deficiência” e já serão contratados em caráter de experiência por três meses para trabalhar nas unidades do grupo. A turma iniciou com 20 participantes, houve seis desistências e duas pessoas farão parte do próximo grupo, que terá início no final deste mês. Desta vez, o projeto abrangerá deficientes físicos, auditivos e visuais.

“Como é um projeto de inclusão, nada mais justo do que incluir as duas pessoas que não conseguiram se formar”, diz Denizar Antunes, gerente de Sustentabilidade do Grupo Bertin. “Queremos mudar a vida das pessoas que participam do curso. Elas passarão a ter opções de escolha e capacidade de ganho”, completa.

Para Antunes, é gratificante este trabalho. Ele acredita que é a parte nobre que uma empresa pode proporcionar para a sociedade.

A assessoria de imprensa do grupo Bertin informa que para participar desta primeira edição, os candidatos passaram por avaliações físicas, cognitivas e psíquicas. Em seguida, os aprovados participaram de um curso pré-capacitação profissional, no qual atividades alusivas ao trabalho foram aprimoradas, em um espaço cedido pelo CAIS.

Os trabalhos realizados no curso envolveram várias áreas do conhecimento e habilidades. Foram trabalhadas noções de cidadania, civismo, uso de recursos, convivência em grupo, habilidades motoras e manuais, com foco na reprodução de padrões e referências. Foi um trabalho gradativo que começou com poucas horas e atividades lúdicas e terminou com a permanência dos participantes por um período nas aulas.

A diretora técnica do CAIS, Silvia Helena Tejo Marcolino, enfoca que esta é uma maneira de abrir portas para aqueles que devem ser reconhecidos como seres humanos. “Buscamos o tempo todo resgatar o que há de melhor dentro de cada um. O cidadão deve ser visto como um todo, independente da patologia”, expõe. “Eles terão uma identidade própria e morarão fora do CAIS.”

Gelson Aparecido Ferreira dos Santos foi o orador da turma e aproveitou para expressar o agradecimento de todos pela oportunidade. “Obrigado àqueles que acreditaram em nós”, agradece.

Regina Ferreira, mão do formando Robson Ferreira de Castro, se emociou e diz que as famílias se sentem privilegiadas e agradecidas, pois agora seus filhos podem caminhar rumo à integração importante e necessária. E, completa, que já notou melhoras em seu filho. “Ao passear pela fábrica, ele já consegue notar quais são as atividades mais trabalhosas e quais lhe chamam a atenção”, completa.

Além do Grupo Bertin e seus parceiros, o projeto conta com o monitoramento da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo e do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Alimentação de Araçatuba e Região.

Os primeiros 12 portadores de deficiência se formaram no último dia 8 na oficina iniciada em fevereiro.

A “Oficina de Trabalhos Experimentais” é promovida pelo grupo Bertin em parceria com o Centro de Atenção Integral à Sáude – CAIS Clemente Ferreira, a Agência de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico (AdetecLins) e conta com o apoio do Unisalesiano e Unilins.