09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Uma história verdadeira


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Quando estava próximo de completar setenta anos, pensava com uma certa alegria que depois disso poderia me dar o luxo de não ser obrigado a votar em ninguém, em nenhuma eleição para qualquer cargo que fosse. Felizmente, para minha total satisfação, hoje com setenta e dois anos de idade, confesso que pensei errado.

E sabem por quê? É que um certo cidadão genuinamente bauruense, por quem tenho verdadeira admiração, estima e consideração, saiu novamente candidato a prefeito desta nossa querida e maltratada cidade de Bauru, depois da desastrosa e péssima administração municipal que aí está, que nem sequer foi tolerada pelo seu vice, que o deixou a ver ioles, canoas e pirogas, já que só temos rios em nossa região.

O candidato a quem me refiro é o meu preferido por mil e uma razões, sendo que a principal delas é eu ter tido a honrosa oportunidade de poder trabalhar para ou com a sua digníssima família por quatro gerações.

Na minha juventude, trabalhei com o seu avô e depois com o seu pai (primeira e segunda) na empresa da família lá na Batista de Carvalho, que ainda era calçada com paralelepípedos e nem se sonhava em que ela fosse o Calçadão de hoje.Entrei como office-boy e depois de alguns anos saí como balconista e fui tentar a sorte em São Paulo e depois no Rio de Janeiro, onde permaneci por mais de trinta anos.

O tempo passou e eis-me de volta para Bauru, e nessa época já entrado na minha “melhor idade”. Por intermédio de uma prestadora de serviços na cidade (a Consiste, do seu Juca), fui trabalhar como porteiro no edifício onde meu candidato, depois de se casar, foi morar com a futura primeira-dama da cidade.

Durante alguns anos em que tive a oportunidade novamente em servir ao meu candidato e esposa (terceira geração), acompanhei a felicidade do casal com a chegada dos filhos (quarta geração). A garotada descia ao pátio nos finais de semana, com o casal e a corujisse da vovó paterna, sempre engajada nas campanhas sociais de benemerência, inclusive na manutenção de uma creche.

Primeiro um, depois dois, e mais tarde três, o que me dá uma saudade imensa, mas ao mesmo tempo me enche o coração de alegria por ter participado de mais uma fase dessa nobre família. E assim foi até que se mudaram para a atual residência e eu consegui a minha aposentadoria. No meu aniversário dia 22 de fevereiro do ano de 1996, eu ganhei do meu candidato uma agenda muito bonita com capa de couro, e que trazia a seguinte dedicatória: Ao senhor Irineu, este “jovem” simpático e atencioso, meus votos de um ótimo 96.

Me lembro de, no meu agradecimento, ter-lhe dito que ele ainda assinaria aquela agenda como prefeito de Bauru. E graças a Deus, esse dia está mais próximo do que se possa imaginar, pois minha agenda foi guardada com muito carinho.

Querem saber o nome do meu candidato? Deixa pra lá. O que eu posso realmente dizer é que nesse eu “Caio” de cabeça. Que Deus abençoe a todos nós.

Irineu Luzia Fernandes