No dia em que a greve dos policiais civis completa sete dias consecutivos em Bauru, o atendimento à população ficará ainda mais restrito. Em reunião realizada ontem à tarde, os delegados decidiram endurecer o movimento a partir de hoje, data em que a categoria deverá aderir à paralisação também em outras regiões paulistas. Por aqui, por exemplo, a idéia é afastar os servidores cedidos pela prefeitura à 5ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran).
“Só servidor da Polícia Civil vai ficar, exatamente o que a lei determina. Nós temos de trabalhar com a nossa realidade. Se o governo do Estado não nos dá funcionários, nem meios, ele terá que prover. Acabou a fase do quebra-galho. Delegado de polícia parece macaco gordo, vive quebrando galho do governo. Agora vamos demonstrar uma realidade que a população não conhece”, disse Edson Cardia, delegado sindical do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo.
De acordo com ele, o encontro de ontem também serviu para alertar a categoria quanto às ocorrências que podem ser registradas. “Alguns delegados estavam menos endurecidos com a greve até por desconhecimento. Continuavam trabalhando fora das normas processuais. Havia desinformação, cada um agia de um jeito. Quisemos adequar a forma de agir dentro da legalidade, dentro do que o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou, dos 80%”, acrescenta Cardia.
O delegado sindical ainda informou que todos os delegados vão oficiar os seccionais sobre o déficit de efetivo. Em Bauru, atualmente, são 256 policiais. Seriam 1.422, se os indicativos da Organização das Nações Unidas (ONU) fossem respeitados. Ele prevê um policial civil para cada 250 pessoas, informa Cardia. Para reverter a escassez no efetivo, a categoria descumpria normas e assumia responsabilidades extras, não previstas, acrescenta o delegado.
“Nós estávamos fazendo por conta e risco. Réu preso com escolta, nós não temos efetivo para fazer. O efetivo mínimo de dois policiais para cada preso, por exemplo, não estava sendo observado (antes da paralisação). Agora será. Vamos seguir a cartilha de greve”, diz. Cardia enfatiza que apenas flagrantes e casos graves serão registrados. Os inquéritos que envolvem réus presos também serão remetidos normalmente ao Fórum.
Endurecimento
O endurecimento da paralisação, no entanto, deve aumentar a insatisfação de munícipes que se dirigem ao plantão da Polícia Civil e não têm sucesso em registrar a ocorrência. Foi o caso de um comerciante que permaneceu por mais de cinco horas no local, na última sexta-feira. Ele conseguiu flagrar um furto em seu estabelecimento comercial, porém lutava para registrá-lo.
“A gente lamenta e pede até desculpas à população. Eu costumo dizer que nós não entramos em greve. Foi o governo do Estado que nos levou à ela. Ele que parou a Polícia Civil, não nós”, conclui Cardia.