Por causa da greve dos policiais civis, uma apreensão de objetos suspeitos feita pela Polícia Militar (PM) no último domingo, na Feira do Rolo, só será registrada hoje no plantão da Polícia Civil, conforme a reportagem apurou. Durante todo esse tempo, o material ficou sob a custódia da corporação. Para evitar problemas, foi registrado um boletim policial militar e os objetos foram relacionados. Ambos os documentos teriam sido assinados pelas pessoas envolvidas.
A medida foi necessária porque esse tipo de caso passou a ser preterido pela Polícia Civil, durante a paralisação. Para que as ocorrências sejam registradas, senhas vêm sendo distribuídas ao PMs. Eles retomam o patrulhamento e só retornam ao plantão quando o colega de trabalho os comunica via rádio que são os próximos a serem atendidos. As informações foram confirmadas por parte do efetivo da corporação, consultada pela reportagem.
A situação é fruto do impasse nas negociações entre representantes de policiais civis e o governo do Estado. Conforme a reportagem já divulgou, a categoria reivindica 15% de reposição salarial este ano, mais 12% em 2009 e outros 12% em 2010. O secretário estadual de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, informou que o governo propôs, entre outras coisas, um adicional de 100% aos delegados que acumulam cargos de chefia no interior.
Enquanto não há entendimento, os policiais civis do Estado de São Paulo que ainda estavam trabalhando promete entrar em greve hoje por tempo indeterminado, no Estado todo. Todos deverão seguir a cartilha de greve, utilizada desde a primeira paralisação, em 13 de agosto, que durou 7 horas. Na ocasião, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou a suspensão da greve e marcou as primeiras reuniões de conciliação, as quais, de acordo com a polícia, não surtiram efeito. As negociações acabaram no dia 5, quando foi decretado estado de greve.