09 de julho de 2026
Articulistas

Igreja de mártires


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No Japão, a igreja católica se iniciou com a chegada do jesuíta Francisco Xavier, em Kagoshima, no dia 15 de agosto de 1549. Dois anos depois, já havia cerca de 800 japoneses convertidos; após meio século, o catolicismo era professado em todo Japão, inclusive por vários senhores feudais e nobres. Missiva de um missionário (11 de outubro de 1562) relata que cristãos recém-convertidos abdicavam de todas as posses e preferiam viver na pobreza, a permanecer ricos sem professar a nova fé. Em Hirado, mais de 600 convertidos foram batizados em três dias. Toyotomi Hideyoshi (1536~1598) baixou um primeiro decreto contra a ação dos católicos em 1587. Inicia-se um o período de perseguições e martírios que tornou o Japão um dos países a com maior número de mártires na História da Igreja. A primeira pessoa a ser martirizada foi uma mulher decapitada por orar diante de uma cruz. Em Kyoto, houve o martírio de 52 pessoas crucificadas e queimadas em 1569.

Em 5 de fevereiro de 1597, a História registra a crucifixão de 26 desses convertidos, que se tornaram conhecidos como os mártires de Nagasaki. À tarde do mesmo dia, o bispo de Nagasaki e os padres jesuítas foram venerar os corpos dos Santos Mártires, cujo sangue foi recolhido pela comunidade católica, como preciosa relíquia. Em julho de 1627, o papa Urbano VIII reconheceu oficialmente seu martírio; e em 8 de junho de 1862, o Papa Pio IX os canonizou solenemente. Anualmente há uma peregrinação até o Monte do Martírio. Em 1614, o Shogum Tokugawa Ieyasu baixou o decreto de banimento do Catolicismo no Japão. As igrejas foram destruídas, todos os missionários deportados (por decreto já assinado por Hideyoshi em 1587), e os que permaneceram foram martirizados juntamente com os fiéis. Calcula-se em cerca de 280 mil católicos martirizados, só em 1635.

Muitos cristãos fugiram da repressão de Toyotomi e se esconderam nas matas dando origem a aldeias só de cristãos. Dentre elas destaca-se Imamura, na região de Tachiarai. Mesmo antes de ser decretada a liberdade de culto, para atender marinheiros ocidentais e eventuaisorientais, Padre Petit-Jean reconstruiu a Catedral de Nagasaki, concluída em 1865,. Não imaginava que, após mais de 200 anos, mesmo sem a presença de sacerdotes, no Japão houvesse quem mantivesse a fé católica, caso único na História da Igreja. O Japão conta com cerca de 445 mil católicos, mais de 700 mártires reconhecidos, 42 santos canonizados, cerca de 200 beatificados. No próximo dia 24 de novembro, serão beatificados, em Nagasaki, mais 188 desses mártires.

A autora, Iolanda Toshie Ide, é presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulheres de Lins e professora aposentada da Unesp