11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Com capacidade quase esgotada, indústrias vão diminuir contratações

Por Gabriel Ottoboni | Com Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Apesar dos resultados positivos obtidos pela indústria paulista no primeiro semestre deste ano, a velocidade das contratações deverá ser reduzida até dezembro. É o que mostra levantamento realizado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), intitulado “Rumos da Indústria Paulista”. O motivo para isso também é positivo: as indústrias estão no limite de sua capacidade operacional em função do aumento da demanda impulsionado pela economia aquecida.

O estudo contou com a participação de 607 micro, pequenas, médias e grandes empresas e teve como um dos objetivos avaliar o primeiro semestre de 2008, as expectativas para o segundo e o impacto da inflação.

Um dado curioso da pesquisa é que, apesar deste primeiro semestre ter sido melhor do que o mesmo período do ano passado para 58% das empresas entrevistadas, não há grande expectativa de abertura de vagas. Ou seja, mesmo com o cenário apresentando índices positivos, 55% dos 607 empresários consultados não têm intenção de realizar contratações até o mês de dezembro.

Segundo José Luiz Miranda Simonelli, titular do Departamento de Ação Regional (Depar) da Fiesp em Bauru, o contraste entre os números revela o limite da capacidade de operação das empresas. “Durante muito tempo no País não se fez investimento, pois não havia uma demanda tão aquecida. Entre o empresário investir e gerar novos postos de trabalho, há um lapso temporal grande”, explica.

Para ele, esse é um dos fatores que podem causar inflação, uma vez que os resultados de uma ampliação física para atender a demanda são demorados. Simonelli acredita que o Brasil terá estabilidade em 2009. “Acredito, inclusive, em decréscimo do consumo”, prevê o empresário.

“Subimos bastante, e devemos descer um pouco. É só pegarmos o exemplo da China, que crescia a 11% ao ano e atualmente a previsão é de 8%. Está indo para cima, mas em ritmo menor, e também vamos passar por isso”, acrescenta.

Demanda

De acordo com Simonelli, o aumento da demanda interna fez com que 58% das empresas apresentassem resultados melhores no primeiro semestre de 2008 em relação ao mesmo período do ano passado. “Tanto que isso começou a disparar a sirene da inflação”, compara.

De acordo com a pesquisa, 91% das empresas afirmaram estar sentindo o impacto da inflação. O percentual de entrevistados que tiveram bons resultados e que acreditam que isso irá continuar até dezembro é de 59%.

Para o titular do Depar em Bauru, porém, os números escondem dados preocupantes. Ele acredita que, embora alguns setores da economia estejam aquecidos, há uma parte sofrendo com o cenário atual. É o que ocorre nas áreas calçadista e de confecções, que sofrem com a concorrência internacional.

Em contrapartida, grande parcela do setor produtivo vive um bom momento, como o setor automobilístico e o agronegócio. “Há uma tendência positiva para o setor que é norteada por questões ambientais. Em nossa região, existem inúmeras propriedades que mudaram de cultura e estão com a cana-de-açúcar”.

Impulsionada pela oferta de crédito, a construção civil é outro setor em pleno desenvolvimento. “O crédito é uma ferramenta de desenvolvimento da economia, principalmente em veículos e imóveis, cujos consumos não são mantidos a curto prazo”, conclui.

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Números

Ainda de acordo com o levantamento da Fiesp, 46% das empresas tiveram maior volume de produção, 48% registraram aumento das vendas no mercado interno no período e 30% indicaram que as exportações foram iguais no primeiro semestre de 2008 em comparação com o ano passado.

Outro dado revela que 50% dos entrevistados esperam aumentar o volume de produção até o final do ano, 51% esperam aumentar as vendas no mercado interno e 34% acreditam que as exportações neste segundo semestre serão iguais às do mesmo período de 2007.

Para 84% das empresas consultadas, a inflação é sentida pelo aumento nos preços das matérias-primas, 40% pelo aumento dos salários e 39% pelo aumento de energia. Nos últimos 12 meses, os custos aumentaram em média 15% e os preços foram reajustados em 8%. Sessenta e quatro por cento delas têm adotado a contenção de despesas administrativas, 62% a diminuição da margem de lucro e 42% o aumento de investimento para elevar a produtividade como medidas para minimizar os efeitos da inflação.