08 de julho de 2026
Auto Mercado

Dr. Automóvel: Óleos e aditivos

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Esta semana recebi duas perguntas bastante interessantes que certamente serão úteis para outros leitores, portanto as responderei diretamente através desta coluna.

A primeira que chegou (e foram várias em uma só) foi do nosso amigo leitor Paulo Pandolfi, que perguntou: “-Dizem que é normal baixar o nível a cada 1000 km. Contudo, se o motor já tem mais de 100.000 km rodados, como decidir se é melhor optar por um tipo de óleo mais denso ou se já é hora de retificar o motor? O que é mais indicado/vantajoso? Não vale dizer que é melhor passar o carro para frente!!! Eu sempre utilizei o óleo Elaion 15W40 em meu Gol. Quando rodo em estrada ele têm baixado um pouco. Será melhor trocar por um óleo 20W50 ou superior ou, ainda, manter o tipo de óleo já utilizado? Dizem que não é bom ficar trocando de marca/tipo de óleo. Adianta não pisar fundo quando o motor está cansado ou é indiferente?” Vamos lá, Paulo.

É normal sim o motor consumir óleo, pois usa o mesmo para sua própria lubrificação e uma parte dele se perde por queima na câmara de combustão. Portanto, completar um pouco a cada 2 ou 3 mil km é perfeitamente normal. Se tiver que completar muito a cada 1000 km, pode ser caracterizado um consumo excessivo, e isto pode ser devido a vários fatores como má vedação dos retentores das hastes de válvulas, alinhamento ou desgaste dos anéis de compressão ou mesmo a necessidade de retífica. Mesmo em motores cansados com mais de 100.000 km rodados, recomenda-se que se use sempre o mesmo óleo especificado pelo fabricante. Aliás, um motor bem cuidado chega aos 100.000 km em sua plenitude e não deverá estar cansado. Isto seria acima dos 150.000 km, quando começam a aumentar as folgas internas e a perder rendimento. Lembre-se que não compete ao frentista decidir o que colocar em seu motor. Se o motor estiver realmente rodado e apresentando sinais de cansaço, poderá usar um óleo um pouco mais viscoso, mas o Elaion 15W50 que usa ainda é o recomendado para seu motor mas poderá tentar o 20W50 e conferir o consumo. A troca de marca ou tipo de óleo não tem influência desde que o óleo seja trocado completamente inclusive o filtro e não apenas reposto. Isto porque existem diferenças nos aditivos de cada fabricante e estes podem reagir de forma diversa quando misturados, portanto se for repor, coloque da mesma marca e tipo. Finalizando, pisar fundo em um motor fraco ou cansado só vai gerar mais consumo, nada a ver com o óleo. E por uma questão de ética, nunca recomendo passar um carro ruim para frente antes de consertá-lo, pois comparo isso a um estelionato. Sempre dou uma geral e o vendo como usado em bom estado. Bom saber que você também pensa assim! Quisera eu que outros assim o fizessem...

A segunda pergunta é de nosso amigo leitor de Mineiros do Tietê, Pérsio Senerino. Ele quer saber: “-Comprei um Celta 2006 Flex há menos de um mês e, logicamente estou rodando somente com álcool. No quebra-sol do lado do motorista existe uma etiqueta com a seguinte recomendação: ‘em caso de uso contínuo de um único combustível recomenda-se o uso de aditivo específico para o mesmo’. A questão é: se eu misturar dois combustíveis (cerca de 10% de gasolina, por exemplo) o uso do aditivo será necessário (o frentista me mostrou um aditivo flex que deve ser utilizado em tal caso)? Aproveito para perguntar se essa mistura pode melhorar ainda mais o consumo do carro que, com álcool puro fez 9,28 km/litro.”

Pérsio, aditivos na prática são desnecessários, pois seu benefício é muito pequeno em função do seu custo. Importante é usar sempre combustíveis de qualidade, de boa marca e de postos de confiança, e não sair por aí procurando as pechinchas. Aditivo flex é puro marketing e compra quem quer. Aproveitam-se justamente desta dúvida dos consumidores e empurram mais um produto desnecessário. Existe até bateria para motores flex (!) como se tivesse uma coisa a ver com a outra... Quanto ao consumo, um motor a álcool sempre gasta mais (em litros) do que um a gasolina, pois a relação de mistura ar-combustível é diferente entre eles como já explicado diversas vezes nesta coluna, porém o álcool ganha no preço, portanto sai mais barato consumir mais litros mais baratos do que menos litros mais caros. Adicionar gasolina ao álcool pode aumentar a autonomia em km/l, mas certamente vai ficar mais caro no bolso.

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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda.

Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

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