11 de julho de 2026
Esportes

Basquete: GRSA desbanca o favoritismo de Assis e impõe vitória por 23 pontos

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

Melhor que a encomenda. Com essa comemorada observação, boa parte dos torcedores presentes ao ginásio da Luso, ontem à noite, deixaram o recinto após a segunda vitória do GRSA/Bauru Basketball Team na série A-1 do Campeonato Paulista de basquete masculino.

O triunfo, marcado pelo dilatado placar com 23 pontos de vantagem (100 a 77) obtido sobre o Conti/Assis, um dos teóricos favoritos ao título estadual, permite ao time bauruense, além da atual condição de vice-líder na tabela, com 5 pontos, também a possibilidade de vislumbrar vôos mais altos na competição.

A elástica diferença no placar retratou as posturas antagônicas das equipes. Pelos lados do GRSA, uma equipe aplicada e aguerrida mostrou desde o início que não facilitaria a vida dos visitantes, apáticos durante praticamente todo o jogo.

Alex, do GRSA, foi o cestinha, com 21 pontos. Outro destaque foi o armador norte-americano, Larry Taylor, com 11 assistências, além de assinalar 19 pontos, com direito a três lances certeiros fora da linha dos três.

O GRSA, focado desde o início e contando com uma atuação inspirada de seu reforço estrangeiro, tomou conta do jogo ao não desperdiçar boas chances de ataque, criadas em contragolpes propiciados pelo sólido sistema defensivo, setor bastante enfatizado pelo técnico Guerrinha durante os treinamentos. “Um placar dilatado pode dar a vitória no jogo, mas uma defesa pode te dar um campeonato”, receitou o comandante do GRSA, ao final da partida.

Ao final da primeira parcial, fechada com uma diferença de 15 pontos (30 a 15), o GRSA, mais frio em relação ao começo, chegou a permitir ao visitante um esboço de reação, momento que a diferença no marcador caiu para apenas seis pontos. No entanto, a equipe assisense não conseguiu se aproximar e o GRSA acordou novamente, ao abrir dez pontos de vantagem. A superioridade de Bauru se consolida nesse período, encerrado em 51 a 37, com uma bela enterrada de Alex.

No terceiro quarto, os comandados do técnico Guerrinha acertaram a mão em lances de três pontos. Foi nesse período que o time do Vale do Paranapanema começou a demonstrar certo desespero na conclusão de bolas teoricamente fáceis, incluindo o desperdício de lances livres com o norte-americano Brian Taylor. A terceira parcial terminou com vantagem de 20 pontos para o GRSA (72 a 52).

O último período do jogo é marcado pela manutenção do ímpeto da equipe caseira, que, empurrada pelos torcedores, ansiosos pelo centésimo ponto no placar, conseguiu manter o foco e a diferença construída no período anterior. Num dos lances mais bonitos da partida, o norte-americano do GRSA faz um belo lançamento direto do setor defensivo às mãos de Ricardo. O ala/pivô bandeja tranqüilamente. Aguardados, e pedidos, pela torcida, os três dígitos no marcador são assinalados por Gaúcho, em lance livre.

Encerrado o jogo, apesar da comemoração pelo êxito sobre um dos times que mais investiram na contratação de reforços para o Campeonato Paulista, o foco na seqüência do Estadual era consenso entre os jogadores de Bauru, ainda antes de deixar a quadra. “Uma vitória assim, dentro de casa, dá ânimo para o time. Estamos muitos unidos e ficaremos ainda mais fortes para, agora, tentar trazer nossa primeira vitória fora de casa”, almeja Ricardo.

Para o técnico Guerrinha, que afirma celebrar mais os “77 tomados do que os 100 marcados”, pela atenção que dá ao sistema defensivo, a vitória sobre um dos favoritos deve ser valorizada, mas com os pés no chão. “Não vamos nos iludir, porque o campeonato é difícil, é uma seqüência dura e a gente tem que trabalhar”, prega o treinador. “Assis é uma equipe muito poderosa ofensivamente. Estamos felizes com os 100 pontos, mas estou mais satisfeito com os 77. Nosso time é a melhor defesa do campeonato”, valoriza o técnico. “Vencemos uma grande equipe e o caminho é esse, a gente tem que apostar na defesa”, insiste.

Poupado dos treinamentos por uma torção no pé, o destaque Larry Taylor afirma que o grupo, apesar da força do adversário, estava comprometido em buscar o resultado em casa, após a derrota diante de Casa Branca, no final de semana. “Entramos pensando em jogar bem e fizemos o que tinha que ser feito”, analisa o norte-americano, que admite ter jogado fora de sua condição plena.

A mesma alegria, obviamente, não demonstrou o técnico de Assis, Marco Antônio Aga, que lamentou a, segundo ele, a falta de vibração de seus comandados. “É triste, não pela derrota. Não houve vibração, emoção, garra, pegada ou defesa”, lastima. “Só se perde dessa forma quando um time está de corpo e alma e o outro só de corpo presente. Fazia muito tempo que eu não passava uma situação dessas”, lamenta. “Mas faz parte da vida”, encerra o técnico de Assis, que recebe o Ulbra/Rio Claro, também no sábado.