No dia 12/9/2008 uma triste e revoltante notícia despertou meu telefone. Um dos mais brilhante e célebre intelectual deixava a vida. Sem dúvida esta foi a notícia mais desesperadora e dolorosa que recebi em toda a minha efêmera vidinha. “Quanta dor”, não acreditei e não acredito, tive vontade de gritar ao mundo, como fez Zaratrustra, quem foi essa linda e maravilhosa pessoa chamada Robson. O professor Robson foi e continua a ser um guerreiro, intelectual, militante, revolucionário, inconformado, desconfiado, questionador, músico, dançarino, compositor, poeta, filósofo, pesquisador, skatista, jogador de futebol, aprendiz, e principalmente alguém que veio ao mundo anunciar e ensinar amor e vida.
Militou sempre no movimento negro, na corrente do trabalho, e em prol de qualquer organização que contemplasse excluídos da educação, da opção de gênero, da terra, do padrão de beleza, ou seja, a favor de todos os movimentos que trazem benefícios ao coletivo. Disse para mim, parodiando Sartre, que “(...) não se sentiria bem enquanto houvesse uma pessoa passando fome no mundo”. Robson foi um inconformado, não só com a questão da fome no mundo, mas com tudo que agredia a sociedade como, por exemplo, a má qualidade do corpo docente e o racismo. Questionou inúmeras vezes a falta de comprometimento do professor com o ensino, a pesquisa e a educação. Ensinou-me as sutilezas do racismo no Brasil, dizia: “Ciro, racismo você percebe no olhar das pessoas”.
De fato, nunca desistiu de lutar por uma sociedade sem preconceitos, pois para ele combater o racismo era uma “luta permanente” e seria necessário “trocar o termo democracia racial por racismo a brasileira, e racismo a brasileira por genocídio negro a corações e mentes e a almas e corpos”. Jamais se conformou com os negros que fingiam não existir racismo no Brasil, como por exemplo em certo dia, quando assistíamos a uma palestra e ele me mandou bilhete com a seguinte frase: “A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas denota insensibilidade. Aquele que “ri” ainda não recebeu a terrível notícia que esta para chegar, “muitos negros rindo a toa”.
Protesto contra o Estado, pois se este soubesse remunerar bem os professores de qualidade como o Robson, não seria necessário trabalhar, além de dar aulas, como motoboy e correr o risco de sofrer acidente como o que aconteceu. Como dizia o irmão Rob: “O Estado financia o ensino medíocre pagando baixos salários aos professores, fazendo com que estes desistam de uma das mais importantes profissões do planeta”. Dessa maneira, no dia 12, a humanidade perdeu uma de suas mais belas produções, o professor Robson. Alguém que é exemplo de superação, capacidade, vontade e que nos ensinou que mesmo passando por dificuldades de moradia, afeto e alimentação, é possível realizar o seu sonho. Meu caro amigo, irmão, companheiro, minha segunda metade, hoje sinto a dor mais triste desse mundo, mas saiba que sua luz iluminará para sempre a humanidade.
Ciro Monteiro - professor de História