09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Mulheres com poder na família, na sociedade, no governo


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Procuro ler o JC na internet e acompanhar as notícias sobre o que acontece na amada e já saudosa Bauru. Nesta terça-feira, 16/9, li a entrevista com a candidata Rosa Izzo. O JC fez uma pergunta sobre a proposta de plano de governo e uma específica sobre políticas para a mulher. Na leitura das perguntas à candidata e as comparações com o governo do marido Izzo Filho, percebo a oportunidade de relatar um episódio do governo Izzo. Nós vínhamos de uma exitosa caminhada no governo anterior: com relevantes perspectivas futuras para um serviço inovador.

No governo anterior, fui coordenadora de um grupo de trabalho criado por decreto. O grupo trabalhou muito para propor, independentemente da cultura de assistência social existente na cidade, uma política pública diferenciada para as mulheres vitimas de violência doméstica. O serviço foi implantado com estrutura mínima. Em quinze meses atendeu mais de mil mulheres, fora comprovada a necessidade do mesmo.

O Ciam conquistou notoriedade; momento em que para ali foram transferidos agentes públicos apadrinhados por outros agentes públicos. Quando Izzo assumiu o governo, tivemos um embate político. Entendia-se que o serviço contava com muitas pessoas entre técnicos e estagiários. A ordem era “reduzir quadro”. Estava completando dois anos e a equipe técnica quase entra no “corte”. Foi necessário diálogo com o então secretário de Administração, com quem conseguimos argumentar para o equívoco administrativo que ocorrera. O prefeito foi contatado pelo secretário e deu ok para a permanência da equipe técnica. Até então, voluntária em toda a empreitada para criar o Ciam, com apoio da então vereadora Catarina Carvalho, fui contratada para ser gestora do Ciam. Procurando isolar o emocional, pois “me sentia mãe da criança”, com afirmou o ex-prefeito, digo que tal fato me fez ver que o Izzo, embora tão criticado que era, soube analisar as informações e decidir pela permanência de um serviço diferenciado pensando no número de mulheres que utilizavam o serviço. O mesmo não ocorreu nos dois governos seguintes. Hoje, embora os relatórios oficiais afirmem que o serviço continua, as mulheres voltaram a sofrer discriminação de gênero.

Foi naquele tempo também que conheci de perto a capacidade política de dona Rosa Izzo. Embora estejamos num período especial, gostaria muito de ver este testemunho publicado no espaço democrático do JC. Controvérsias à parte, acredito que uma mulher que tenha enfrentado todas as adversidades que ela enfrentou já é detentora de poder e, se as urnas decidirem, pode também colocar esse poder conquistado na vida, na família e na política a serviço da sociedade. Afinal, tanto a Câmara quanto os conselhos têm o dever de fiscalizar ininterruptamente.

Rosa Morceli - Baixada Cuiabana