Consciente de estar na beira dos 70, fui participar da Parada da Diversidade - a comissão organizadora me ofereceu lugar no carro alegórico e de som. Fui de “Juma Marruá com raiva”, ou seja, de onça. Uma velha onça, magrinha, velhinha, fervendo na avenida. Cheguei cedo e comecei a festa. O povo alegre aderiu. Filmaram e fotografaram abraçando a onda frágil e em extinção. Grande festa! Alegria e cores. Uma amiga foi filmando, registrando tudo. Inclusive a beleza plástica do Dil, figura bonita e gentil. Uau!! Pelas 4 da tarde uma amiga me avisa que o clima mudou com a aglomeração. Agressivos.
Era bom eu não seguir a pé. E aí um cara me “abalroou”, me agarrou. E lá veio outro. Escapo. Medo. Procuro a comissão sobre ir para o carro. Eu não consegui. Não peguei o crachá. As drag queens e barbies um tanto hostis. Não me deixam subir. A comissão tenta me ajudar, não consegue. E não achavam Markinhos pra me ... Falo com a “madrinha” Núbia que também me ignora. A velha onça incomodava os belos e jovens gays. Não respondiam ao que eu falava. Mas notamos que várias pessoas conhecidas deles subiam para os carros. Menos eu. A comissão nada pode fazer por mim. Aí, com medo de seguir a pé (que é mais gostoso), não participei do desfile. E a amiga me levou pra casa. Contudo, contente.
Então fiquei pensando que a minha onça foi rejeitada pelos rejeitados. E também que há pouco tempo fui tão bonito quanto eles. E que incomodava a velha onça pulando na avenida porque eu fazia a imagem deles, amanhã. Isso incomoda, né? Tudo urge... Mas foi uma belíssima festa!!!
Hesso Maciel - comunicólogo, jornalista, artista plástico etc...