Cabrália Paulista - Houve uma época em que homens públicos trabalhavam de graça. Eram pessoas com espírito público e que, quando era preciso, tiravam dinheiro do próprio bolso para o bem da cidade. Antonio Vaz de Lima foi um desses abnegados. Ele faleceu no último dia 15. Nascido em Piratininga, em 3 de novembro de 1913, Tonico Casemiro, como se tornou mais conhecido, mudou-se no final dos anos 40 para a vizinha Cabrália Paulista, que estava se emancipando.
Logo, Casemiro se tornou vereador, assumindo a cadeira em março de 1957, na terceira legislatura da Câmara Municipal (1957-1961). O JC apurou que, nesta época, os parlamentares não recebiam subsídios e nem salários. Tonico foi eleito para mais três mandatos parlamentares consecutivos (1965-1969, 1969-1972 e 1973-1976, conforme dados no site do Legislativo).
Quem conviveu com o vereador se recorda que, muitas vezes, ele deixou os afazeres particulares em segundo plano para cuidar do desenvolvimento do município.
“Certa vez, fomos juntos a Adamantina comprar postes de madeira para a rede elétrica que atualmente leva luz ao que hoje é a cidade de Paulistânia”, conta José Soares Pereira, que foi prefeito de Cabrália por três gestões. Para justificar sua ausência em casa e na sua fábrica de doces, Tonico dizia: “De mim, o povo não vai falar mal”.
“Também foi ele quem viajou até Mogi das Cruzes para convencer os irmãos Nagao a construirem uma granja em Cabrália e esta sempre manteve cerca de 200 empregos na cidade”, conta o ex-prefeito Domenico Antonio Ghinelli.
Quando perguntavam a Casemiro porque não se candidatava a prefeito, ele respondia com outra afirmação que não vale mais para os dias de hoje: “Não tenho instrução”.
Casemiro também coordenou a plantação de pinus à margem da rodovia SP-293, que corta Cabrália. Essa é a madeira que alimenta a fábrica de urnas funerárias instalada no município.
Foi numa dessas urnas, coberta com a bandeira de Cabrália, que o corpo de Antonio Vaz de Lima fez sua derradeira viagem de volta a Piratininga. Antes, ele foi velado, na terça-feira, na Câmara de Cabrália Paulista, onde trabalhou. Seu corpo foi sepultado no túmulo da família em Piratininga.
Tonico Casemiro morreu na segunda-feira passada, dia 15, aos 94 anos, em um hospital particular de Bauru. Deixou esposa, filhos, netos, bisnetos e um legado de integridade. Uma pessoa da família frisa que Tonico viveu os últimos anos com a aposentadoria de um salário mínimo.