11 de julho de 2026
Política

Tuga critica demagogia de candidatos

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O prefeito Tuga Angerami criticou ontem, em entrevista coletiva à imprensa, posicionamentos que classificou de hipócritas e demagógicos de candidatos a prefeito que discursam pela conclusão das obras de tratamento de esgoto a custo zero (fundo perdido). Pela primeira vez desde o início da temporada eleitoral, o chefe do Executivo fez comentários confrontando afirmações daqueles que pretendem a sucessão.

A avaliação crítica do prefeito em relação às promessas de obtenção de verbas a fundo perdido para financiar o tratamento de esgoto está ancorada em dois fatores, a ausência de receitas do Orçamento da União para esta finalidade em volumes substanciais e a carência por emendas orçamentárias de deputados em quantia suficiente para bancar o projeto de tratamento. Mesmo sem citar nomes, o prefeito pontuou que “é balela, engodo, demagogia e hipocrisia falar em concluir o tratamento de esgoto em custo estimado de R$ 100 milhões com o recebimento de verbas a fundo perdido”.

A reação do prefeito, entretanto, foi feita mais em tom de desabafo de que de intenção de polemizar com os candidatos. Tuga Angerami reforçou, conforme revelado ao JC anteontem, que não iria antecipar a discussão sobre a melhor alternativa para o pagamento do tratamento de esgoto: se pelo formato atual onde o ritmo das obras segue o recurso disponível no caixa do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE) ou se pela antecipação da obra de sete para dois anos e meio, mas com financiamento de pelo menos R$ 87 milhões junto à Caixa Econômica Federal (CEF) para quitação em 20 anos.

“Eu guardei por três semanas em segredo minha ida a Brasília, onde discuti na Agência Nacional de Águas (ANA) e no Ministério das Cidades as fontes de recursos. Mas um jornalista (do JC) pesquisou e me perguntou e eu não pude me furtar a falar. Portanto, decidi que a licitação da estação de tratamento (ETE) fique para depois da eleição, para não contaminar o debate e vou chamar a Câmara, a sociedade e o prefeito quer for eleito para discutir a viabilidade de antecipar ou não as obras, com ganho em custos”, reforçou Angerami.

O prefeito disse que pessoalmente está convencido de que é melhor para a cidade antecipar a obra e o benefício do tratamento de esgoto através de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). “Eu vou abrir discussão sobre os R$ 30 milhões a mais no custo levantado para a ETE, mas não queria discutir isso agora porque entendo que a posição dos candidatos é funcional em virtude da eleição. Mas dizer que tem recurso a fundo perdido é balela é engodo”, cutucou.

Segundo o prefeito, o governo federal só financia projetos de pequeno porte para saneamento a custo zero. “Eu fui ao Ministério e à ANA e chequei isso de fonte segura. Para drenagem e asfalto tem muito pouco, o que muda a idéia inicial que discuti com os vereadores de deixar preparado financiamento de até R$ 60 milhões para esse fim. Mas verba a fundo perdido não tem quase nada no Orçamento da União e o volume disponível por emendas de deputados é muito pequeno para o projeto de Bauru. Isso é preciso ser dito, para não enganar ninguém”, ponderou.

Tuga também reforçou que a opção de financiar a antecipação das obras do esgoto não elimina o FTE. “O fundo permanece e é o sistema consolidado para captar os recursos. Eu fico feliz que até quem não queria o fundo agora o aplaude. Mas é hipocrisia falar em verba federal no volume de R$ 100 milhões a fundo perdido. Eu estou convencido de que é melhor, para a qualidade de vida, a atração antecipada de investimentos e a redução do custo financeiro da obra, a antecipação da conclusão com o financiamento, mas vou abrir esta discussão logo após a definição da eleição”, finalizou.

Para quem criticou sua mudança de posição a respeito do financiamento das obras do esgoto, o prefeito reagiu: “eu me patrulhei para engolir muito sapo durante esses três anos e meio, mas tem hora que não dá. Burro não muda mesmo de idéia. Quem muda é quem pensa. Quem não discute é quem põe uma cenoura na ponta de uma varinha e a segue”.