São Paulo - O economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) Marcelo Neri disse ontem que a redução da desigualdade social vem beneficiando diretamente uma nova classe social, a nova classe média (veja quadro). “Essa é a década da redução da desigualdade, já por sete anos consecutivos. É uma marca expressiva. Ela acaba engendrando desde a redução da miséria até o aumento de seguimentos médios da população, como a chamada nova classe média”, declarou o chefe do Centro de Políticas Sociais do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, ao comentar a pesquisa “Miséria e a Nova Classe Média na Década da Igualdade”.
O estudo aponta que em 2007 a classe média cresceu 4.4%, em grande parte por causa do aumento significativo no número de empregos formais. Os dados da pesquisa registram que hoje existem cerca de 1,8 milhão de empregos com carteiras assinadas.
A pobreza, ainda segundo a pesquisa, caiu 6% em 2007 - de 19% da população em 2006 para 18,11% em 2007 - e 1, 5 milhão de pessoas saíram da linha de pobreza. De acordo com a FGV, existem hoje no Brasil cerca de 33,6 milhões miseráveis, o equivalente a 18% da população.
Os dados também mostram que em 2007 os 10% mais pobres da população - com renda per capita inferior a R$ 135,00 por mês - perderam 5,5% da renda mensal, cerca de R$ 2,00. A nova classe social, ou classe C, segundo o estudo, é a que tem renda familiar total variando de R$ 1.064,00 a R$ 4.591,00.