Estaria o Mal de Alzheimer com os dias contados? A doença continua sem cura e não há perspectiva de quando poderemos nos ver livre dela, mas há uma esperança concreta de que será possível, dentro de três a cinco anos, pelo menos interromper seu desenvolvimento. Já seria um grande alento para as famílias que sofrem com esse mal. Estima-se que o número de indivíduos acometidos pelo Alzheimer ultrapasse os 15 milhões em todo o mundo. No Brasil, a estimativa é de 1,2 milhão e, em Bauru, cerca de 3.500 pessoas.
A notícia de que o avanço da doença poderá ser barrado em breve foi divulgada na 11ª Conferência de Pesquisadores em Doença de Alzheimer, realizada em Chicago (EUA) no último mês de julho. O encontro reuniu especialistas e médicos de várias partes do mundo para apresentar e debater novas pesquisas. E entre essas pesquisas estão algumas que prometem interromper o desenvolvimento da doença.
Testes feitos em animais e agora em humanos comprovam que isso é possível. O médico Paulo Canineu, vice-presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), esteve presente na conferência. Segundo ele, pelos trabalhos apresentados no evento, “estamos próximos de ter um medicamento que realmente interrompa o desenvolvimento do Alzheimer. Isso dentro de três a cinco anos”.
Atualmente, os medicamentos existentes não conseguem deter a doença. O máximo que eles fazem é tornar o processo mais lento. “Mesmo com os tratamentos modernos que temos hoje, a doença continua evoluindo”, afirma Canineu.
De acordo com os pesquisadores que apresentaram seus trabalhos na conferência, os medicamentos testados mostraram eficiência nos testes com animais e os resultados nos humanos também têm se mostrado animadores. Pelo menos 50 produtos diferentes estão sendo pesquisados em todo mundo.
Canineu comenta que, a partir do momento que esses medicamentos forem oficialmente liberados para consumo, quanto mais cedo for feito o diagnóstico da doença melhor será para o paciente e também para a família. Estacionar o Alzheimer em sua fase inicial é algo que pode proporcionar ao doente e às pessoas que cuidam dele uma melhor qualidade de vida. No estágio inicial, a perda de memória não é tão profunda e fisicamente o paciente ainda está em boas condições, o que não ocorre nos estágios mais avançados.
O médico faz questão de ressaltar que ainda não existe nenhuma pesquisa concluída. Portanto, vai demorar um pouco para que as novas drogas sejam colocadas no mercado. Ele lembra que depois de comprovar sua eficácia, os novos medicamentos têm de passar por outras avaliações para certificar que elas também são seguras.
“Quando se fala em novidade, as pessoas ficam achando que na semana seguinte ou no mês seguinte estará vendendo na farmácia. Não é bem assim. As pesquisas demoram a ser concluídas”, avisa. Com o intuito de alertar a população sobre os primeiros sinais da doença, diagnóstico, tratamento e cuidados especiais com os portadores, foi instituído o Dia Mundial de Alzheimer, que é comemorado hoje, dia 21 de setembro, em todo o mundo.