A nossa querida Bauru, com uma população de quase 400 mil habitantes, não oferece uma condição de lazer, particular ou familiar, à população, a não ser o Zoológico Municipal, teatro, ou Vitória Régia, quando tem algum evento, fora isso nada. Então fica a opção de quem ama e gosta do futebol. Temos o Noroeste, deixa de ser apoiado pela cidade, envolvendo torcedores e empresários, que deixam de dar sua contribuição que leve o time ao topo maior de qualquer competição. Não quero aqui generalizar o comportamento de cada cidadão, existem aqueles que são fiéis torcedores, que apóiam e ajudam a equipe. Nas tardes de sábado foi organizado pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Semel) um campeonato de master, onde se reúnem jogadores, que há algum tempo contribuiu com o nosso futebol amador.
Este mesmo amador, também organizado pela mesma Secretaria, é realizado aos domingos de manhã, quando temos também o futebol feminino. Para quem gosta, assim como eu, é um prato cheio. Só nos resta essa opção para a gente da periferia, pois da classe alta tem vários clubes na cidade, se estão nessa condição fizeram por merecer e nós temos que garantir também o nosso espaço.
Voltando ao amador, antigamente a segurança no campeonato varzeano era garantida por uma corda envolvendo todo campo de terra e por um policial militar. Quem não se lembra do Morumbi da Bela Vista, hoje Ginásio Guedes de Azevedo, da Portuguezinha nos Altos da Cidade, e tantos outros, onde os torcedores torciam e respeitavam os adversários. Mas vai se fazer isso hoje! Isso porque estamos no século 21. Alambrado não existia no campeonato de master, que me referi no início, também está na mesma situação sem garantia alguma, a não ser quando algo mais forte acontece e a Polícia Militar com sua competência chega para por ordem na casa, o mesmo com futebol amador de manhã e aos domingos.
Temos que pensar cem vezes ao passar a mão em nossos filhos ou netos, no meu caso netos, pois o meu filho caçula conta com 22 anos, e levar a um distrital, ainda mais quando se encontram equipes rivais. Alguns torcedores, sendo uma minoria, parece que vão ao futebol para agredir moral ou fisicamente aqueles que estão ali proporcionando a nós, sem fins lucrativos, pois na segunda-feira todos, inclusive esses torcedores, terão que comparecer ao seu trabalho, para garantir o sustento de seus entes queridos que ansiosos esperam seu retorno após o futebol. Estamos cansados de ouvir: ô fulano, enquanto você está aí sua mulher está se prostituindo, em palavras de baixo calão, e tantos outros palavrões, sem conhecer a conduta moral e espiritual do atingido. Aquelas bombas explosivas podem atingir o tímpano de alguma criança que inocentemente corre e brinca próxima ao alambrado.
Amigos torcedores, vamos fazer do nosso amador, seja qual for a categoria, um verdadeiro encontro de familiares e amigos, jamais de inimigos. Vamos dar as mãos e caminhar juntos rumo a uma união e amizade. Lembrem-se, ao sairmos de casa alguém espera por nós, em nome de Cristo, pois com ele tudo podemos, nos tornaremos vencedores pela paz, amizade e união. O maior perdedor é aquele que fielmente aceita a derrota, pois com ela vai aprimorar-se na vida e no seu interior. Vamos aos estádios incentivar e brincar, fazer com que nossas esposas, filhos e netos possam também participar. O nosso futebol amador sempre foi e será um celeiro de craques, os masters que o digam. Que Jesus abençoe e proteja a todos. Um abraço.
Vilson José Santos - RG 12.328.510