Completar 80 anos de atividades é um fato que merece registro quando se fala em entidade de classe. Em solenidade realizada no início deste mês no Palácio Anchieta, foram comemoradas as oito décadas de fundação do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Durante o evento, a Câmara Municipal de São Paulo entregou a ex-presidentes e representantes de indústrias fundadoras da entidade o “Diploma de Gratidão pelos Serviços Prestados”.
“Nossa responsabilidade é muito grande. Em uma entidade como o Ciesp, com tanta tradição, há expectativas. Temos que fazer acontecer, ocupar os espaços, fortalecer a indústria e o País”, disse o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), Paulo Skaf.
A solenidade, presidida por Skaf, contou com a presença do secretário municipal das subprefeituras da Capital paulista, Andrea Matarazzo, do deputado federal Paulo Renato (PSDB-SP) e de inúmeros empresários. Durante o evento, foram homenageadas as empresas fundadoras do Ciesp: Companhia Industrial e Agrícola Boyes, Votorantim, Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, Melhoramentos, Klabin, AmBev (antiga Companhia Antarctica Paulista), Bunge (antiga Moinho Santista) e Copag.
Os ex-presidentes da entidade, Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho, Mário Amato, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, Horácio Lafer Piva e Claudio Vaz também foram homenageados.
Fundado em 28 de março de 1928, o Ciesp foi a primeira entidade representativa do segmento industrial no Brasil. Entre seus grandes incentivadores estão lideranças paulistas como Horácio Lafer Piva, Antonio Devisate, Jorge Street e José Ermírio de Moraes.
“A indústria ainda é sólida no Brasil graças ao esforço das lideranças que aqui estão. O Palácio dos Bandeirantes e o Edifício Matarazzo são símbolos de que a indústria fica, e o resto passa”, afirmou Andrea Matarazzo em referência à presença da empresária Maria Pia Matarazzo, neta do conde Matarazzo, um dos fundadores do Ciesp.
Industrialização
O surgimento do Ciesp marcou uma mudança de qualidade fundamental para a industrialização do País. A principal estratégia para ampliar a mensagem da entidade foi se espalhar pelas diversas regiões do Estado. O processo de regionalização começou em 1949, e atualmente o Ciesp possui 42 diretorias regionais, municipais e distritais - incluindo uma em Bauru, cujo titular é o empresário Domingos Malandrino.
Para Paulo Skaf, o caminho construído pela entidade foi alicerçado no poder de representatividade. “São 80 anos de lutas e conquistas, de trabalho ético e árduo na defesa dos interesses maiores não apenas da indústria paulista, como também de todo o Brasil”, destacou.
O Ciesp nasceu com a missão de comandar a abertura do mercado para os industriais brasileiros, que ganhou força em 1914 com a Primeira Guerra. “Na estrutura em que se organiza o Ciesp, a associação sempre foi uma livre iniciativa do industrial. Isso reflete a importância que a instituição representa para o segmento, na medida em que reúne as maiores representações industriais em âmbito estadual no mundo, entre 9 mil associados”, destacou Fausto Cestari, 2.º vice-presidente do Ciesp.
Para Rafael Cervone Netto, 1.º vice-presidente da entidade, a autonomia da entidade e sua atuação capilar são importantes estratégias de competitividade. “O Ciesp tem um papel preponderante diante dos desafios, como a isonomia competitiva e a guerra fiscal entre os Estados.”
“O Ciesp tem o poder de formar lideranças e de reforçar líderes autênticos preocupados não só com a causa da indústria, mas com a causa da comunidade”, acrescentou José Eduardo Mendes Camargo, 3.º vice-presidente do Ciesp.
Representação
Horácio Lafer Piva também enalteceu a pujança da entidade durante a solenidade de comemoração dos 80 anos. “Esta entidade é a rede tentacular da representação e serviços, a menor distância entre o empreendedor e os temas e ações que definem o desenvolvimento. Tem rosto, personalidade própria, energia que brota do chão de fábrica. Tenho orgulho de ter feito parte desta aventura, ao lado de amigos que manterei para sempre”, disse o ex-presidente da Fiesp/Ciesp.
Nas palavras do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, os desafios do Brasil se confundem com os desafios do Ciesp na busca pelo aumento sustentável da produção industrial que contenha cada vez mais tecnologia e inovação embutida. “A atuação do Ciesp, que sempre foi voltada para o futuro, certamente ainda contribuirá de maneira muito expressiva para a contínua atração de investimentos, boas idéias e trabalho não só para a cidade de São Paulo como para todo o Interior paulista”, enfatizou.
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Crescimento
Quando o Ciesp foi fundado, o Estado tinha 4.500 indústrias, sendo a maioria instalada na Capital. Atualmente, das quase 80 mil indústrias paulistas, o Interior abriga mais de 70% e é responsável por 80% dos empregos gerados pelo setor.
A manufatura paulista é responsável por mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual. Além disso, São Paulo responde por aproximadamente 35% do PIB nacional e é o maior centro industrial, comercial e financeiro da América do Sul.
A participação do parque industrial paulista na produção brasileira praticamente dobrou de cerca de 15% nos anos 70 para quase 30% no início desta década.