09 de julho de 2026
Saúde

Meditação reduz ansiedade na gestação

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

A meditação pode auxiliar mulheres grávidas a reduzirem o nível de ansiedade comum à gestação, favorecendo a qualidade de vida delas e do feto. Esta é uma das conclusões da tese “Definição operacional de meditação e efeitos psicofísicos em gestantes”, defendido pelo médico Roberto Cardoso na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O trabalho, orientado pelos médicos Luiz Camano, Eduardo de Souza e José Roberto Leite, da Unifesp, teve como objetivo criar uma definição operacional de meditação para grávidas - até então inexistente no meio científico - a partir da análise dos efeitos da atividade em um grupo de voluntárias, e acabou por conquistar reconhecimento mundial em artigos publicados nos EUA, Europa e Ásia.

“A mulher grávida tem níveis peculiares de ansiedade, que crescem à medida que a gestação se desenvolve”, explica o Cardoso, que é mestre em obstetrícia pela e chefe do setor de medicina fetal do FEMME Laboratório da Mulher, em São Paulo.

“Por outro lado, a meditação vem sendo citada como um interessante método de relaxamento dentro do meio médico, mas ainda não havia quase nenhum registro sobre como essa técnica poderia ser útil na redução da ansiedade da gravidez”, aponta o médico, que também é pesquisador nas áreas de medicina comportamental e qualidade de vida.

No início do estudo, 169 grávidas foram selecionadas, e dessas, 30 voluntárias foram acompanhadas no decorrer do segundo e terceiro trimestre e 3º semestres de cada gestação, escolhidas por atenderem aos critérios necessários para conclusão do estudo. Metade delas usou a meditação e metade não, de forma que se pudesse fazer uma comparação estatística.

Orientada por parâmetros psíquicos e físicos, a tese estruturou-se da seguinte maneira: avaliadas a partir de um questionário psicológico, as grávidas revelaram os níveis de ansiedade, depressão e escalas de bem-estar e tensão. Os parâmetros físicos consideraram três fatores: tensão muscular, temperatura das extremidades e condutância elétrica da pele.

Esses parâmetros foram escolhidos pelo fato de que quando uma pessoa entra em estado de relaxamento, ela reduz a tensão muscular, aumenta a temperatura das extremidades e diminui a condutância elétrica da pele, elevando o nível de bem-estar e tendo reduzido o nível de tensão.

Resultados

Comparando a evolução dos dois grupos, a pesquisa concluiu que as meditadoras tiveram redução da ansiedade e tensão, além de menor queda do nível de bem-estar (este, como era esperado, caiu nos dois grupos, mas no das meditadoras caiu bem menos).

No aspecto físico, as meditadoras também tiveram vantagens em relação ao outro grupo: a condutância elétrica da pele e a tensão muscular diminuíram, e houve aumento significativamente maior da temperatura das extremidades, sendo que as não-meditadoras tiveram um considerável aumento de tensão.

Já no aspecto psicológico, a tese descobriu que a prática da meditação durante a gravidez proporciona bem-estar e tranqüilidade no dia-a-dia, sendo que tais efeitos podem tornar ainda mais confortável a vivência da gravidez.

Em virtude dos inúmeros benefícios que proporciona, o conceito de meditação vem ganhando destaque no meio médico. Aceita como fonte de pesquisas científicas por órgãos de atuação global como o National Center for Complementary and Altewrnative Medicine (NCCAM) e a Agency for Healthcare Research and Quality) (AHRQ).

A tese virou referência mundial no assunto e já foi publicada em dez países. “Hoje dispomos de uma linguagem técnica para falar de meditação, e tentamos fazer que com que a prática torne-se um instrumento terapêutico aceito pela medicina e dominado pelas escolas médicas”, conclui o médico.