08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A velha mocidade


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As décadas de sessenta e setenta foram marcantes. Nesta época a contracultura atingiu o ápice, difundindo ideais - um pouco utópicos - de paz e transgressão ao conservador. Para os jovens, era a liberdade. Para o mofo, era imoralidade e decadência. O inconformismo com o capitalismo era latente. Este movimento atingiu principalmente o estrato universitário, culminando em embates violentos. Era proibido proibir. Logo, o jovem exaltado cresceu. Ou morreu na tentativa. Os indivíduos remanescentes da horda famigerada de álcool, drogas e transgressões hoje chefiam o mundo. Tornaram-se chefes de família, trabalhadores e políticos moderados. E seus ideais também ganharam cabelos brancos?

Aparentemente sim. As ideologias radicais não mais se apresentam através de gritos, canções e revoltas. Hoje o jovem se mostra acomodado, pois aparentemente não há mais motivos para revoltas. Esta é a ilusão permanece na opinião destes mancebos. Não se necessita mais de questionamento, pois o Brasil se mostrou um país incorruptível, com sua renda distribuída, com índices nulos de analfabetismo e de violência. Portanto, é uma nação perfeita e sem nenhuma contradição. Cabe à juventude exercer seu papel na sociedade. Seja através do voto, de críticas ou de manifestações, o jovem não pode se acomodar na poltrona mofada. Assim, ele não será uma peça em um museu de grandes novidades. Será como seus pais, tios e parentes foram, eternos jovens.

Guilherme Sementili Cardoso