Os atentados ao redor do mundo e mais especificamente no Oriente Médio parecem não ter fim. Neste sábado, 20 de setembro, a comunidade internacional assistiu a um dos maiores momentos de agonia desde que ataques terroristas começaram a se propagar pelo planeta. O Paquistão foi palco do terror que matou ao menos 40 pessoas e feriu mais de 100, segundo últimas informações. Notícias afirmam que entre os mortos e feridos estão estrangeiros de diversos países que estavam em um hotel na cidade de Islamabad, Capital do país. A forma como se deu o atentado e as imagens do hotel em chamas surpreenderam o mundo e instauraram uma nova crise no Paquistão.
Com o ataque terrorista, o poder de legitimação do presidente recém-eleito, Asif Ali Zardari, fica em xeque. O parentesco de Zardari, que é viúvo da ex-premiê Benazir Bhutto, assassinada no ano passado, aliado à sua política de cooperação com os Estados Unidos não agradam os radicais do país. Após a afirmação do presidente, que resolveu manter a aproximação com os EUA, assim como fazia seu antecessor Pervez Musharraff, os ânimos de radicais islâmicos se exaltaram e foram apresentados ao mundo por meio do atentado. Com o fim de uma era ditatorial dirigida por Mushrraff, esperava-se que o Paquistão voltasse à normalidade política e abrisse espaço para a democracia, mas o que se viu foi um agravamento da crise que praticamente existiu em toda história política paquistanesa.
Também não era para ser diferente. Embora houvesse uma esperança em resolver a crise no país, a conjuntura política e o resultado das eleições não permitiram que a ordem fosse colocada no Paquistão. Zardari é conhecido pelos paquistaneses como “senhor 10%”, numa alusão às taxas de impostos praticadas durante o seu governo. Depois de sofrer prisão e exílio, ele voltou, apagando a luz que surgia após a renúncia de Pervez Musharraff; afinal, o ditador saía do cargo e tudo indicava que o melhor estava por vir.
No entanto, não foi o que ocorreu. Pelo que se verifica, o caos político e a falta de ordem vão fazer parte do cotidiano político do país novamente. O atentado deste sábado foi mais um sinal de que, às vezes, uma intervenção pacífica e bem estruturada é necessária. Digo uma intervenção em conjunto com as nações do mundo que busque um planejamento, e não a atual intromissão dos EUA na defesa do país. Quando o mundo acordar com os constantes abalos e gritos vindos do Oriente, vamos poder voltar a ter esperança em um futuro melhor para esses países banhados na lama da corrupção política e do prestígio buscado a todo custo.
Aelton Aquino - estudante de jornalismo da Unesp