Conforme matéria publicada neste Jornal em 21/9, não posso deixar de dizer que fiquei chocado com as declarações do sr. Flávio Tadeu Salvador, diretor da Divisão de Vigilância Sanitária de Bauru. Faço questão de relembrar um trecho: “A leishmaniose veio para ficar e isso é ponto pacífico. Não tem nenhum município que tenha conseguido erradicar. O que tem que fazer é controlar. Ter uma rede de saúde funcionando para dar o diagnóstico precoce e as pessoas não morrerem”.
Uso essa Tribuna democrática para expressar minha indignação. A que ponto chegamos? Dizer que a chamada Úlcera de Bauru veio para ficar? É vergonhoso uma Autoridade Sanitária abordar uma endemia dessa forma, isso para não dizer que é assinar embaixo da própria incompetência, pois os primeiros atos de combate à doença devem partir do próprio e isso não se resume a sacrificar cães. O combate deve ser realizado diretamente no vetor. Dizer que outros municípios não conseguiram erradicar não justifica a inércia de Bauru que cedeu seu nome para batizar popularmente a Leishmaniose.
Mais de 6.800 cães sacrificados, vários casos em humanos, inclusive de óbitos, e o sr. Diretor da Vigilância Sanitária vem a público soltar tamanha asneira. Cuidado bauruenses, usem e abusem de repelentes e outros métodos de combate ao mosquito palha, não esperem respaldo da Vigilância Sanitária, ao menos que queiram sacrificar seu cachorro. Eu gostaria de ver um sujeito como esse face a face com nosso grande e saudoso Oswaldo Cruz. Seria uma cena mambembe para o nosso conterrâneo. A “autoridade” deveria parar de enxugar gelo e assumir sua responsabilidade.
Fernando de Oliveira Leme - funcionário público - RG 30.888.954-X