Se quiseres conhecer o vilão, dá-lhe o bastão, diz o provérbio. Numa manobra de risco, Alckmin está dissecando a vida política do seu adversário, o prefeito de São Paulo, principalmente no que diz respeito às manobras acrobáticas por ele praticadas nos períodos que antecederam às convenções partidárias. De olho em 1910, prevendo sabiamente que qualquer arranhão na amizade tucano-democrática de hoje pode trazer problemas para o futuro, os representantes partidários da duas agremiações, Bornhausen e Sérgio Guerra, começam a demonstrar preocupação. O ex-líder de Covas Valter Feldman foi incumbido de recriminar o caminho trilhado por Alckmin, que ele designa como de luta vale-tudo. O ex-governador rebate dizendo que a tática lhe devolveu dois pontos na pesquisa. Já o vereador do DEM, Carlos Apolinário, diz que Alckmin está chorando “como criança que perdeu o pirulito”. Tudo isso faz parte da batalha política. Mas também faz lembrar uma conclusão a que os antigos chegaram: o que vem da cabeça de um alquimista a gente nunca sabe.
Rui Bertoti